Calçada #Cilada 2017 – resultado enviado ao GDF

No dia 5 de julho o Brasília para Pessoas encaminhou ao Governo do Distrito Federal o resultado da campanha Calçada #Cilada 2017. Neste ano foram registradas 251 reclamações de cidadãos de todo o DF.

   

Ciladas denunciadas na campanha deste ano (ao lado do Conic e no Setor de Rádio e TV Sul).

A campanha nacional é promovida pela Corrida Amiga no mês de abril em várias cidades com o apoio e a participação ativa do Brasília para Pessoas e de diversas entidades espalhadas pelo país. Qualquer cidadão pode fazer denúncia das armadilhas no caminho e publicar a foto com a respectiva localização por meio do aplicativo Colab.

Em razão de no DF a competência sobre mobilidade e acessibilidade estar distribuída em mais de um órgão, o resultado da campanha foi encaminhado por e-mail aos seguintes órgãos públicos: Secretaria de Mobilidade, Secretaria de Gestão do Território e Habitação, Detran-DF, Novacap, Secretaria de Infraestrutura e Obras e Agefis.

Carta enviada por e-mail aos seis órgãos do GDF:

Foram enviados em anexo no e-mail para os órgãos: relatório com os resultados da campanha, planilha de fiscalizações, registro fotográfico das ciladas e clipping de reportagens (clique para acessar os anexos).

Neste ano, muitas das calçadas com crateras registradas no ano passado continuavam do mesmo jeito, abandonadas.

2016

2017

Crianças reprovam o estado da calçada na W3 Norte (709N). Um ano depois, a cratera continua.

2016

2017

No Setor Hoteleiro Norte, a cratera denunciada em 2016 ficou ainda maior após um ano.

Outras ações foram realizadas no mês da campanha, que coincide com o aniversário de Brasília (21 de abril). Além da segunda edição do Salto de Crateras (leia relato sobre a ação), o Super-Ando, super-herói dos pedestres, pousou por aqui no aniversário da cidade e deu uma grande ajuda aos pedestres que precisavam fazer a travessia entre o parque da cidade e a torre de TV (assista ao vídeo).

Esperamos que o GDF se sensibilize com o estado lamentável das calçadas, com os inúmeros bloqueios e com a ausência de calçadas e pontos de travessia. Além da insegurança revelada pelo número de mortes de pedestres (em 2016, 133 pedestres foram mortos nas vias do DF), as crateras e os bloqueios no caminho dificultam ou mesmo impedem a caminhada.

SAIBA MAIS:

Imobilidade na área central de Brasília (VÍDEO):

Crianças aplicam multa cidadã em carros sobre calçada (VÍDEO):

Pedestres no DF (álbum com centenas de fotos revela as condições para caminhar):

Flagrante de desrespeito à faixa de pedestre em Brasília

No dia 17/6 (sábado), ao voltar com as crianças para casa, fomos surpreendidos por um motorista que nos ignorou durante a travessia e passou em alta velocidade pela faixa. Apesar do aceno insistente do meu filho, o motorista passou direto, sem cerimônia. A cena está gravada no vídeo (clique para acessar).

 

Infelizmente o desrespeito é comum. As freadas bruscas e colisões próximas às faixas revelam que o respeito à faixa de pedestre enfraqueceu. A campanha de respeito à faixa, que tornou a capital federal referência, completou 20 anos em abril.

   
   

Freadas brusca, colisões e insegurança nas proximidades das faixas de travessia em Brasília.

Os dados sobre atropelamentos são preocupantes: em 2016, 133 pedestres foram mortos (em 2015, foram 112). E apenas na última semana três pedestres foram atropelados, um deles na faixa de travessia.

 

Nos comentários no vídeo postado no facebook, mais queixas quanto ao desrespeito na travessia.

Campanhas educativas são necessárias, assim como fiscalização regular, com agentes de trânsito na rua, para coibir o desrespeito na faixa. As infrações costumam ser causadas pelo excesso de velocidade e pela distração (celular ao volante).

– Texto original divulgado junto com o vídeo no facebook:

Flagrante de desrespeito à faixa de pedestre em Brasília (Asa Norte). Muitos motoristas ignoram até mesmo quando crianças imploram para atravessar…

Na capital “moderna”, com fama de respeito ao pedestre, a imprudência (excesso de velocidade) e a distração (uso de celular ao dirigir) agravam a insegurança.

Não foi a primeira vez – e duvido que seja a última – que um motorista ignora totalmente a nossa travessia. Felizmente estou aqui postando o vídeo-denúncia, com meus meninos em casa. Se não tivesse lhes ensinado desde cedo a ficarem alertas aos aloprados de plantão, poderia estar agora apreensivo num leito de hospital.

Ao andar e pedalar na selva brasiliense tem que estar sempre atento para sobreviver!

Pedestres no DF: celebração ou indignação?

Texto e fotos: Uirá Lourenço

Em abril se comemorou o aniversário de 20 anos da campanha de respeito à faixa de pedestres em Brasília. Sem dúvida, o respeito à faixa aqui é maior em relação a outras cidades brasileiras, graças ao trabalho iniciado há duas décadas. Mas o respeito ao pedestre vai além da faixa de travessia e requer ações governamentais com foco na humanização, uma tendência atual em cidades modernas, que priorizam as pessoas em detrimento dos carros.

A inacessibilidade ainda predomina em todo o Distrito Federal, inclusive na área central planejada. Não apenas por falta de rampas, mas especialmente pela invasão dos espaços públicos. Ao longo da Esplanada dos Ministérios, no Setor Comercial, no Setor Bancário e ao longo de toda a W3, para citar alguns exemplos, o cenário é desolador: carros invadem calçadas, canteiros e qualquer espaço livre.

   

Realidade na área central: invasão automotiva

A busca por uma cidade humanizada requer ações além da mera orientação ao pedestre para que acene a intenção de atravessar a via. As ações educativas e de fiscalização devem ser permanentes e dirigidas aos motoristas. Um programa de tolerância zero ao estacionamento irregular – em especial sobre calçadas, rampas de acesso e canteiros – daria o recado de civilidade exigido aos mais fortes no trânsito. Em vez de privilégios (estacionamento livre a ampliação de vias, entre outros), o motorista precisa de limites rígidos.

Claramente a tendência moderna em mobilidade é restringir o espaço destinado aos carros e incentivar o transporte coletivo e a mobilidade a pé e por bicicleta. No entanto, além do desconforto causado pelos carros e pelas crateras no caminho, os pedestres sofrem com a insegurança decorrente do excesso de velocidade e da imprudência. Os dados oficiais revelam que não há motivo para comemoração: em 2016, 132 pedestres foram mortos no DF, valor superior aos 112 mortos em 2015. Isso sem contar os inúmeros pedestres feridos em decorrência dos atropelamentos e das quedas nas crateras.

Há muito a fazer e é inaceitável o massacre nas ruas. Pedestres e ciclistas, os mais frágeis no trânsito, estão expostos a alto risco e as autoridades precisam agir. Cidades modernas, especialmente as capitais europeias, possuem programas de redução do limite de velocidade, como forma de aumentar a segurança no trânsito e promover o compartilhamento seguro das vias. No Distrito Federal não há programa amplo com o objetivo de reduzir o limite de velocidade e muitas vias, como o Eixão, a L4, a EPTG e a EPIA, possuem limite de 80 km/h (longe dos radares, muitos motoristas passam dos 100 km/h).

Campanha da Organização Mundial da Saúde reforça a importância de reduzir os limites de velocidade.

No Maio Amarelo (mês com campanhas voltadas à segurança no trânsito), os jornais destacam as mutilações de pedestres: no dia 2/5, uma jovem de 12 anos foi atropelada no Paranoá; no dia 11/5, um rapaz de 19 anos atropelado na EPIA Sul e um menino de 8 anos atropelado na BR-020; no dia 19/5, mais duas jovens (de 13 e 15 anos) foram atropeladas na BR-020, por motorista que invadiu o acostamento; no dia 22/5, duas pessoas atropeladas no Lago Norte por motorista que fugiu e não socorreu as vítimas. As notícias revelam que, além dos pedestres feridos e mortos, ciclistas, motociclistas e motoristas foram vítimas da violência no trânsito.

Eis uma mudança simples e simbólica: a redução do limite para 60 km/h no Eixão, que resultaria em maior segurança a todos (pedestres, ciclistas e motorizados). Mas, infelizmente, o que se percebe é o descaso com o pedestre ao longo dos anos. Enquanto se gastam mais de R$ 200 milhões na construção de túneis e viadutos no norte do DF, para se incentivar ainda mais o uso do carro, as passagens subterrâneas seguem abandonadas e perigosas. Em plena capital federal, um cadeirante ou alguém de muletas não consegue descer do ônibus e chegar sem apuros ao setor hospitalar (norte e sul).

   

No final da Asa Norte, pedestres em alto risco e sem calçada no entorno de obras milionárias de ampliação viária.

E o governo local não pode alegar desconhecimento dos problemas de insegurança e inacessibilidade. As queixas contra as péssimas condições aos pedestres são frequentes nos jornais e nas redes sociais. Há alguns anos se denuncia a insegurança na W3 Norte, com pontos críticos aos pedestres. Fiz solicitações ao Detran-DF, incluindo pedido para instalar faixa de pedestres e semáforo na altura da 713 Norte, onde todo dia adultos e crianças atravessam correndo a via, no meio de carros e ônibus em alta velocidade. Nunca houve qualquer providência, apesar das fotos e dos vídeos que revelam o alto risco.

Durante a campanha nacional Calçada Cilada de 2016, em que o cidadão denuncia problemas de acessibilidade por meio de aplicativo de celular, a capital federal se destacou com 231 queixas registradas, atrás apenas de São Paulo. Na campanha deste ano houve 251 reclamações e muitas das crateras do ano anterior estavam ainda maiores em razão da falta de manutenção e da invasão automotiva.

   
   

Algumas das crateras denunciadas na campanha Calçada Cilada 2017

É curioso notar que nossos governantes e gestores públicos responsáveis pela mobilidade viajam para a Europa e exaltam a qualidade do transporte público e a possibilidade de caminhar e usar a bicicleta como meio de transporte. Mas, ao retornarem a Brasília, enclausuram-se em carros (particulares ou oficiais) e são incapazes de propor ações com foco na segurança e na humanização. Em vez de inovação e modernidade, as autoridades propõem mais túneis, viadutos e estacionamentos.

– Manchetes das tragédias recentes no DF (maio/2017):

 

Saiba mais sobre a situação dos pedestres:

– Álbum de Fotos – confira imagens dos pedestres no DF:

https://goo.gl/photos/EtNwv93VniDav1h6A

– Vídeo Pedestres atletas na Asa Norte (W3):

https://www.youtube.com/watch?v=3DHvut8jc0M

– Vídeo sobre a política rodoviarista no norte do DF:

https://www.youtube.com/watch?v=rFDdaVe4bqM

 

 

Dia de Bike ao TrabalhoFB_IMG_1494559929568

 

Bondes em Brasília/DF:

ASA NORTE

1. SQN 412 a CLRN 703 – saída 7h20 – Puxador: Wille Marcel. Encontro na ciclovia em frente ao Colégio JK. Percurso pela L1 Norte até a CLN 205, travessia do Eixão pela passagem subterrânea e ciclovia da W1 até a CLN 303. Contato: 98223-2610

2. SQN 406 ao Buriti – saída 9:00 – Puxador: servidores da Semob e Milvo Rossarola. Encontro na estação de bicicletas compartilhadas da 406 norte. Contato: 99610-4077

3. SQN 214 a 605 sul – saída ás 7:00 – Puxador: Vítor.. Encontro na frente do Parque Olhos D’Água. Percurso pela L2 norte e L2 sul até o destino. Contato: 99907-7175

4. 710 Norte (W4/5) a CLDF – saída às 8h30 – Puxador: Uirá Lourenço. Encontro na ciclovia da w4/5, próximo a um caminhão de água de coco. Percurso pela ciclovia até o eixo monumental, depois ciclovia até o destino.

5. SQN 116 a SQN 406 – saída às 8h39 – Puxadora: Dani. Esse bonde depois encontra com o bonde nº 2, que vai ao Buriti. Contato:98678-9990

SUDOESTE
1. Parque do Bosque ao HRAN – saída às 7h30 – Puxadora: Ana Silvia Pires

SALTO DE CRATERAS – competição realizada no aniversário de Brasília

No aniversário de Brasília (21 de abril), atletas se reuniram para a competição anual de Salto de Crateras.

Graças às inúmeras crateras avantajadas, a capital federal se consolida como principal local de treino dos pedestres atletas. As calçadas destruídas, espalhadas por toda a cidade, atraem atletas de vários países e fazem da capital uma referência internacional na modalidade.

A disputa foi acirrada e, neste ano, a atleta nipônica Mity Hori venceu na categoria atleta revelação e bateu o recorde anterior de Super Ando.

A disputa final ocorreu na Esplanada dos Ministérios, na cratera mais avantajada da cidade. Os atletas foram aplaudidos por milhares de trabalhadores que passam a pé diariamente pelo local.

Fotos da tradicional competição:

   
   

Calçada Cilada – campanha em favor dos pedestres

Texto e Fotos: Uirá Lourenço

A Calçada Cilada ocorre em abril, em todo o país. Qualquer cidadão pode registrar os problemas no caminho dos pedestres, tais como calçadas destruídas e rampas bloqueadas. Realizada há alguns anos, a proposta é que, por meio de aplicativo, os cidadãos possam denunciar os obstáculos e encaminhar às autoridades competentes.

No ano passado, Brasília se destacou com 231 queixas, atrás apenas de São Paulo. Entre as denúncias, muitas calçadas em péssimo estado, locais sem calçada e insegurança na travessia. Além da divulgação e da participação direta na campanha, o Brasília para Pessoas promoveu outras atividades em abril de 2016: caminhada com crianças e aplicação de curativos urbanos, reforma cidadã de calçada e visita do Super-Ando (super-herói dos pedestres).

   
   

Queixas e atividades desenvolvidas em Brasília na campanha de 2016.

A campanha Calçada Cilada surgiu por iniciativa de ativistas da Corrida Amiga, entidade de São Paulo, e conta com apoio de diversos parceiros, incluindo o Brasília para Pessoas e o Mobilize Brasil.

Fica o convite: exerça cidadania e participe!

– Dicas práticas para participar da campanha:

# Baixe o aplicativo Colab, disponível gratuitamente;

# Abra o aplicativo, cadastre-se e fala o login

# acione o sinal + (canto inferior direito da tela);

# Em seguida, acione no tópico Fiscalize um problema e selecione a categoria Pedestres e Ciclistas;

# Indique a subcategoria correspondente, por exemplo, Calçada Irregular;

# Tire foto do problema encontrado e escreva um pequeno texto sobre defeito dessa calçada. Nesse texto inclua a hashtag #cilada;

# Confira o endereço da fiscalização e pronto, basta publicar;

# Você pode também tirar fotos com câmera e depois registrar a denúncia pela página do Colab. Não se esqueça da hashtag #cilada.

– Saiba mais:

Super-Ando em Brasília: crianças entrevistam o super-herói dos pedestres (vídeo)

Auxílio aos pedestres: Super-Ando em ação na capital federal (vídeo)

Caminhada com as crianças (em Brasília e São Paulo) e aplicação de curativos urbanos

Reforma cidadã, na base do mutirão, de calçada em Brasília (álbum de fotos)

Integração com Bilhete Único no DF

Texto e fotos: Uirá Lourenço

Pela notícia do GDF, o bilhete único entra em operação em até 6 meses.

A integração permitirá pegar até três transportes (por exemplo, metrô e duas linhas de ônibus) em duas horas, pelo valor de R$5. Os cartões e as recargas estarão disponíveis no comércio (expectativa de mais de mil pontos em todo o DF) e se poderá fazer recarga on-line. As bicicletas compartilhadas estarão integradas ao sistema.

Ainda estão previstos: informação aos usuários em tempo real, por aplicativo, com a instalação de GPS na frota de 3.200 ônibus; biometria facial para coibir fraudes; central de supervisão operacional, com monitoramento em tempo real, que facilitará a fiscalização da frota em circulação.

Há vídeos explicativos na página da Semob. Eis o link da notícia completa:

http://www.semob.df.gov.br/imprensa/releases/item/2573-entenda-o-bilhete-%C3%BAnico-e-as-outras-melhorias-na-mobilidade-urbana-do-df.html

 

– Promessa de longa data

A integração no transporte coletivo é uma longa promessa no Distrito Federal, reiterada nas eleições por candidatos de diferentes partidos. Ao longo dos anos, os adesivos nos ônibus fazem menção ao transporte integrado.

Ônibus com adesivo em 2008.

Adesivo com novo desenho em 2017.

 

O atual governador, Rodrigo Rollemberg, se elegeu com a promessa de implantar o bilhete único no primeiro ano de governo. No vídeo com as promessas (clique para assistir) do então candidato e no programa de governo estão relacionadas as propostas para a mobilidade urbana.

A grande vantagem da integração com cartão é a flexibilidade no uso do transporte coletivo sem custo adicional. A integração representa conforto e economia: em vez de esperar longo tempo no ponto, o usuário pode pegar mais de um ônibus sem pagar a tarifa total nas demais conduções.

Como vantagem adicional, costuma-se oferecer bilhete único de diferentes tipos: mensal, semestral e anual. Dessa forma, quem usa frequentemente ônibus e metrô tem desconto ao adquirir cartão com maior validade. Na notícia do GDF não se faz menção à oferta de bilhete mensal ou anual.

Por fim, fica a dúvida: será que, dessa vez, o bilhete único prometido para 2015 sairá do papel?!

Imobilidade e Interesse$: fotos e reflexões sobre (i)mobilidade urbana

Texto e fotos: Uirá Lourenço

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No dia 24/1, quando o GDF garantiu no Judiciário o aumento da tarifa de ônibus e metrô, fiz um trajeto mais longo de bicicleta. Observei e registrei o cenário de imobilidade que se agrava de forma acelerada.

O resumo do que vi: pontos de ônibus lotados, muitos sem abrigo. Mesmo na área central, no entorno dos órgãos da cúpula dos Poderes locais (Palácio do Buriti, CLDF e TJDF), situação vexatória aos que dependem do transporte coletivo. Todos os pontos sem qualquer informação sobre linhas de ônibus e sobre horários.

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Pontos de ônibus sem abrigo e sem qualquer informação sobre linhas e horários a menos de 1 km da cúpula dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário do DF.

 

As pessoas se espremiam para se proteger da chuva. No caminho até o ponto, calçadas destruídas ou inexistentes. Seguindo o trajeto pela EPIG (Estrada Parque Indústrias Gráficas), mais calçadas deterioradas e ciclovia vazia. A interrogação pintada no caminho há alguns anos questiona o óbvio: cadê o resto da ciclovia?

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Pedestres e ciclistas sem caminho seguro e acessível.

 

Na EPTG (Estrada Parque Taguatinga), cenário de caos total. Um mar de carros, inclusive no espaço que deveria ser dos ônibus: até hoje (oito anos após o início das obras na “Linha Verde”) nunca circularam pelo corredor exclusivo os ônibus com porta do lado esquerdo. O resultado: usuários de ônibus presos no congestionamento, corredor exclusivo e pontos de embarque no canteiro central abandonados.

Seria injusto dizer que nada mudou desde o tempo em que saía de Águas Claras e pedalava pela EPTG até o trabalho (2010 e 2011). Mudou para pior: há muito mais carros e a disputa dos pedestres e ciclistas por espaço ficou ainda pior. Mesmo assim eles estão lá, tratados como cidadãos de quinta categoria, obrigados a andar na lama e no meio do fluxo intenso de carros e ônibus.

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Na EPTG (“Linha Verde”), no dia do aumento garantido no Judiciário, o cenário de caos e de total desconsideração de pedestres e ciclistas.

 

– Interesse$ na cidade

O GDF insiste na tarifa de R$ 5 e na política atrasada de incentivo aos carros, como fica evidente no final da Asa Norte. O projeto TTN (Terrível Trevo Norte) devasta grandes áreas para incentivar ainda mais o transporte automotivo.

No período de aumento da tarifa de ônibus e metrô, aumentou também a agressividade publicitária do setor automotivo. Por toda a cidade e coincidentemente nos pontos de ônibus se espalham os anúncios para compra de carro. E vem o pacote completo aos medrosos: anúncio de carro e curso para superar o medo de dirigir.

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Se o usuário de ônibus e metrô ainda estiver em dúvida na troca do transporte coletivo pelo carro ou moto, vem o afago adicional: promoção nos postos de combustível. Afinal, o setor petrolífero não perderia a oportunidade surgida com o aumento das passagens.

O esforço conjunto entre governo e setor automotivo se revela ainda na oferta do curso “Superação do medo de dirigir” gratuitamente pelo Detran-DF. Não bastassem os cursos pagos oferecidos por empresas especializadas, o departamento de trânsito gasta recursos públicos para encorajar o uso do carro, sem qualquer custo aos motoristas medrosos.

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No sítio eletrônico do Detran, a oferta do curso para encorajar motoristas.

Neste cenário em que o aumento da tarifa sacrifica os que usam o transporte coletivo (dados da Secretaria de Mobilidade indicam que a participação dos modos coletivos no DF é de apenas 32%), com aumento na publicidade do setor automotivo e com manutenção das obras de túneis e viadutos, espera-se que mais pessoas fujam do transporte coletivo e passem a usar carro e moto nos deslocamentos diários.

Fecha-se assim o ciclo de efeitos negativos decorrentes dos incentivos ao uso do transporte individual motorizado. Mais carros nas ruas, mais congestionamentos, mais estresse e níveis elevados de poluição e sedentarismo. Graças aos projetos e às ações centradas no carro, o colapso total das vias, previsto para 2020 por estudo encomendado pelo governo, deve ser antecipado.

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Além de cara e poluente, a política rodoviarista voltada à fluidez motorizada resulta em muitas mortes e ferimentos no trânsito. E os dados de 2016 confirmam o alto nível de violência no trânsito: 394 pessoas foram mortas nas vias do DF, com destaque para os 133 pedestres mortos. No total, houve 40 mortes a mais em 2016, em relação a 2015.

– Promessas e propaganda governamental

Ao longo dos anos vários programas e projetos do GDF prometem o melhor dos mundos em termos de mobilidade: Brasília Integrada, Pedala-DF, Ciclo Vida e Linha Verde. A bola da vez é o Circula Brasília, que prefiro denominar Estaciona Brasília. A lógica automotiva, com mais túneis e viadutos, continua presente, mas disfarçada em traje de gala. O Circula Brasília apresenta um mapa de integração multimodal, com linhas de metrô, VLT e BRT espalhados por todo o DF. Para completar a ilustração, muitas bicicletas e pedestres associados aos terminais de transporte coletivo.

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Diferentes nomes e logomarcas ao longo dos anos: Brasília Integrada (2008), Pedala-DF (2008) e Linha Verde (2010).

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O governo atual adota novo nome e novas ilustrações no programa de mobilidade urbana.

Segundo o ditado popular, propaganda é a alma do negócio. E em termos de propaganda o governo está bem, com Brasília supostamente no rumo certo (lema adotado no atual governo). Mas o grande equívoco é tratar a mobilidade urbana como um negócio, onde prevalecem os interesses minoritários e lucrativos de setores ligados ao transporte automotivo (ex.: concessionárias de carros e postos de combustível), em detrimento dos interesses da massa trabalhadora que se sujeita todo dia a condições humilhantes para usar ônibus e metrô. Da mesma forma são humilhados pedestres e ciclistas: calçadas e ciclovias destruídas e descontínuas; pontos de travessia inexistentes ou inseguros; alto limite de velocidade nas vias e imprudência motorizada.

Ao contrário das cidades modernas que investem no transporte coletivo e em alternativas saudáveis ao automóvel, a capital federal insiste no modelo voltado ao automóvel, com vias rápidas e ampliadas para acomodar a frota crescente de carros.  Graças ao esforço conjunto entre governo e setor automotivo, Brasília continuará habitada por seres com uma anatomia ímpar: cabeça, tronco e 4 rodas.