Calçada Cilada – campanha em favor dos pedestres

Texto e Fotos: Uirá Lourenço

A Calçada Cilada ocorre em abril, em todo o país. Qualquer cidadão pode registrar os problemas no caminho dos pedestres, tais como calçadas destruídas e rampas bloqueadas. Realizada há alguns anos, a proposta é que, por meio de aplicativo, os cidadãos possam denunciar os obstáculos e encaminhar às autoridades competentes.

No ano passado, Brasília se destacou com 231 queixas, atrás apenas de São Paulo. Entre as denúncias, muitas calçadas em péssimo estado, locais sem calçada e insegurança na travessia. Além da divulgação e da participação direta na campanha, o Brasília para Pessoas promoveu outras atividades em abril de 2016: caminhada com crianças e aplicação de curativos urbanos, reforma cidadã de calçada e visita do Super-Ando (super-herói dos pedestres).

   
   

Queixas e atividades desenvolvidas em Brasília na campanha de 2016.

A campanha Calçada Cilada surgiu por iniciativa de ativistas da Corrida Amiga, entidade de São Paulo, e conta com apoio de diversos parceiros, incluindo o Brasília para Pessoas e o Mobilize Brasil.

Fica o convite: exerça cidadania e participe!

– Dicas práticas para participar da campanha:

# Baixe o aplicativo Colab, disponível gratuitamente;

# Abra o aplicativo, cadastre-se e fala o login

# acione o sinal + (canto inferior direito da tela);

# Em seguida, acione no tópico Fiscalize um problema e selecione a categoria Pedestres e Ciclistas;

# Indique a subcategoria correspondente, por exemplo, Calçada Irregular;

# Tire foto do problema encontrado e escreva um pequeno texto sobre defeito dessa calçada. Nesse texto inclua a hashtag #cilada;

# Confira o endereço da fiscalização e pronto, basta publicar;

# Você pode também tirar fotos com câmera e depois registrar a denúncia pela página do Colab. Não se esqueça da hashtag #cilada.

– Saiba mais:

Super-Ando em Brasília: crianças entrevistam o super-herói dos pedestres (vídeo)

Auxílio aos pedestres: Super-Ando em ação na capital federal (vídeo)

Caminhada com as crianças (em Brasília e São Paulo) e aplicação de curativos urbanos

Reforma cidadã, na base do mutirão, de calçada em Brasília (álbum de fotos)

Integração com Bilhete Único no DF

Texto e fotos: Uirá Lourenço

Pela notícia do GDF, o bilhete único entra em operação em até 6 meses.

A integração permitirá pegar até três transportes (por exemplo, metrô e duas linhas de ônibus) em duas horas, pelo valor de R$5. Os cartões e as recargas estarão disponíveis no comércio (expectativa de mais de mil pontos em todo o DF) e se poderá fazer recarga on-line. As bicicletas compartilhadas estarão integradas ao sistema.

Ainda estão previstos: informação aos usuários em tempo real, por aplicativo, com a instalação de GPS na frota de 3.200 ônibus; biometria facial para coibir fraudes; central de supervisão operacional, com monitoramento em tempo real, que facilitará a fiscalização da frota em circulação.

Há vídeos explicativos na página da Semob. Eis o link da notícia completa:

http://www.semob.df.gov.br/imprensa/releases/item/2573-entenda-o-bilhete-%C3%BAnico-e-as-outras-melhorias-na-mobilidade-urbana-do-df.html

 

– Promessa de longa data

A integração no transporte coletivo é uma longa promessa no Distrito Federal, reiterada nas eleições por candidatos de diferentes partidos. Ao longo dos anos, os adesivos nos ônibus fazem menção ao transporte integrado.

Ônibus com adesivo em 2008.

Adesivo com novo desenho em 2017.

 

O atual governador, Rodrigo Rollemberg, se elegeu com a promessa de implantar o bilhete único no primeiro ano de governo. No vídeo com as promessas (clique para assistir) do então candidato e no programa de governo estão relacionadas as propostas para a mobilidade urbana.

A grande vantagem da integração com cartão é a flexibilidade no uso do transporte coletivo sem custo adicional. A integração representa conforto e economia: em vez de esperar longo tempo no ponto, o usuário pode pegar mais de um ônibus sem pagar a tarifa total nas demais conduções.

Como vantagem adicional, costuma-se oferecer bilhete único de diferentes tipos: mensal, semestral e anual. Dessa forma, quem usa frequentemente ônibus e metrô tem desconto ao adquirir cartão com maior validade. Na notícia do GDF não se faz menção à oferta de bilhete mensal ou anual.

Por fim, fica a dúvida: será que, dessa vez, o bilhete único prometido para 2015 sairá do papel?!

Imobilidade e Interesse$: fotos e reflexões sobre (i)mobilidade urbana

Texto e fotos: Uirá Lourenço

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No dia 24/1, quando o GDF garantiu no Judiciário o aumento da tarifa de ônibus e metrô, fiz um trajeto mais longo de bicicleta. Observei e registrei o cenário de imobilidade que se agrava de forma acelerada.

O resumo do que vi: pontos de ônibus lotados, muitos sem abrigo. Mesmo na área central, no entorno dos órgãos da cúpula dos Poderes locais (Palácio do Buriti, CLDF e TJDF), situação vexatória aos que dependem do transporte coletivo. Todos os pontos sem qualquer informação sobre linhas de ônibus e sobre horários.

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Pontos de ônibus sem abrigo e sem qualquer informação sobre linhas e horários a menos de 1 km da cúpula dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário do DF.

 

As pessoas se espremiam para se proteger da chuva. No caminho até o ponto, calçadas destruídas ou inexistentes. Seguindo o trajeto pela EPIG (Estrada Parque Indústrias Gráficas), mais calçadas deterioradas e ciclovia vazia. A interrogação pintada no caminho há alguns anos questiona o óbvio: cadê o resto da ciclovia?

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Pedestres e ciclistas sem caminho seguro e acessível.

 

Na EPTG (Estrada Parque Taguatinga), cenário de caos total. Um mar de carros, inclusive no espaço que deveria ser dos ônibus: até hoje (oito anos após o início das obras na “Linha Verde”) nunca circularam pelo corredor exclusivo os ônibus com porta do lado esquerdo. O resultado: usuários de ônibus presos no congestionamento, corredor exclusivo e pontos de embarque no canteiro central abandonados.

Seria injusto dizer que nada mudou desde o tempo em que saía de Águas Claras e pedalava pela EPTG até o trabalho (2010 e 2011). Mudou para pior: há muito mais carros e a disputa dos pedestres e ciclistas por espaço ficou ainda pior. Mesmo assim eles estão lá, tratados como cidadãos de quinta categoria, obrigados a andar na lama e no meio do fluxo intenso de carros e ônibus.

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Na EPTG (“Linha Verde”), no dia do aumento garantido no Judiciário, o cenário de caos e de total desconsideração de pedestres e ciclistas.

 

– Interesse$ na cidade

O GDF insiste na tarifa de R$ 5 e na política atrasada de incentivo aos carros, como fica evidente no final da Asa Norte. O projeto TTN (Terrível Trevo Norte) devasta grandes áreas para incentivar ainda mais o transporte automotivo.

No período de aumento da tarifa de ônibus e metrô, aumentou também a agressividade publicitária do setor automotivo. Por toda a cidade e coincidentemente nos pontos de ônibus se espalham os anúncios para compra de carro. E vem o pacote completo aos medrosos: anúncio de carro e curso para superar o medo de dirigir.

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Se o usuário de ônibus e metrô ainda estiver em dúvida na troca do transporte coletivo pelo carro ou moto, vem o afago adicional: promoção nos postos de combustível. Afinal, o setor petrolífero não perderia a oportunidade surgida com o aumento das passagens.

O esforço conjunto entre governo e setor automotivo se revela ainda na oferta do curso “Superação do medo de dirigir” gratuitamente pelo Detran-DF. Não bastassem os cursos pagos oferecidos por empresas especializadas, o departamento de trânsito gasta recursos públicos para encorajar o uso do carro, sem qualquer custo aos motoristas medrosos.

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No sítio eletrônico do Detran, a oferta do curso para encorajar motoristas.

Neste cenário em que o aumento da tarifa sacrifica os que usam o transporte coletivo (dados da Secretaria de Mobilidade indicam que a participação dos modos coletivos no DF é de apenas 32%), com aumento na publicidade do setor automotivo e com manutenção das obras de túneis e viadutos, espera-se que mais pessoas fujam do transporte coletivo e passem a usar carro e moto nos deslocamentos diários.

Fecha-se assim o ciclo de efeitos negativos decorrentes dos incentivos ao uso do transporte individual motorizado. Mais carros nas ruas, mais congestionamentos, mais estresse e níveis elevados de poluição e sedentarismo. Graças aos projetos e às ações centradas no carro, o colapso total das vias, previsto para 2020 por estudo encomendado pelo governo, deve ser antecipado.

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Além de cara e poluente, a política rodoviarista voltada à fluidez motorizada resulta em muitas mortes e ferimentos no trânsito. E os dados de 2016 confirmam o alto nível de violência no trânsito: 394 pessoas foram mortas nas vias do DF, com destaque para os 133 pedestres mortos. No total, houve 40 mortes a mais em 2016, em relação a 2015.

– Promessas e propaganda governamental

Ao longo dos anos vários programas e projetos do GDF prometem o melhor dos mundos em termos de mobilidade: Brasília Integrada, Pedala-DF, Ciclo Vida e Linha Verde. A bola da vez é o Circula Brasília, que prefiro denominar Estaciona Brasília. A lógica automotiva, com mais túneis e viadutos, continua presente, mas disfarçada em traje de gala. O Circula Brasília apresenta um mapa de integração multimodal, com linhas de metrô, VLT e BRT espalhados por todo o DF. Para completar a ilustração, muitas bicicletas e pedestres associados aos terminais de transporte coletivo.

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Diferentes nomes e logomarcas ao longo dos anos: Brasília Integrada (2008), Pedala-DF (2008) e Linha Verde (2010).

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O governo atual adota novo nome e novas ilustrações no programa de mobilidade urbana.

Segundo o ditado popular, propaganda é a alma do negócio. E em termos de propaganda o governo está bem, com Brasília supostamente no rumo certo (lema adotado no atual governo). Mas o grande equívoco é tratar a mobilidade urbana como um negócio, onde prevalecem os interesses minoritários e lucrativos de setores ligados ao transporte automotivo (ex.: concessionárias de carros e postos de combustível), em detrimento dos interesses da massa trabalhadora que se sujeita todo dia a condições humilhantes para usar ônibus e metrô. Da mesma forma são humilhados pedestres e ciclistas: calçadas e ciclovias destruídas e descontínuas; pontos de travessia inexistentes ou inseguros; alto limite de velocidade nas vias e imprudência motorizada.

Ao contrário das cidades modernas que investem no transporte coletivo e em alternativas saudáveis ao automóvel, a capital federal insiste no modelo voltado ao automóvel, com vias rápidas e ampliadas para acomodar a frota crescente de carros.  Graças ao esforço conjunto entre governo e setor automotivo, Brasília continuará habitada por seres com uma anatomia ímpar: cabeça, tronco e 4 rodas.

Mobilidade Saudável em Brasília: série de vídeos destaca alternativas ao carro

Com a participação especial dos irmãos Cauã e Iuri, o Brasília para Pessoas lança a série especial de vídeos Mobilidade Saudável em Brasília. No primeiro vídeo os repórteres-mirins entrevistam o servidor público João Marques.

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Na capital federal João dá exemplo de vitalidade. Há cerca de um ano trocou o carro pela bicicleta para ir ao trabalho. Ele teria muitos argumentos para continuar usando o carro, tais como a idade e a distância. Mas com 59 anos João segue firme de bicicleta no trajeto de bicicleta entre o Guará e o centro de Brasília. Ele enumera diversos benefícios: perda de peso, maior disposição, redução no medicamento e alívio no diabetes.

E ainda destaca outros pontos positivos após a troca do carro pela bicicleta: não enfrenta mais congestionamento e está livre do estresse. Confira o vídeo com o bate-papo animado sobre os benefícios da bicicleta:

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Clique na imagem para assistir ao vídeo.

Aumento das mortes no trânsito em 2016

http://www.metropoles.com/distrito-federal/transito-df/numero-de-mortes-no-transito-volta-a-crescer-no-distrito-federal

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CORPO DE BOMBEIROS/DIVULGAÇÃO

Número de mortes no trânsito volta a crescer no Distrito Federal

De acordo com levantamento do Detran-DF, em 2016, foram 394 vítimas — 40 a mais que o registrado em 2015

Mirelle Pinheiro

13/02/2017 5:21 , ATUALIZADO EM 13/02/2017 5:25

 

O número de brasilienses que perderam a vida no trânsito cresceu 11,29% de 2015 para 2016. No ano passado, 394 pessoas morreram nas vias do Distrito Federal, contra 354 mortes no mesmo período anterior. O aumento representa um retrocesso, já que, em 2015, foi registrado o menor número de mortes no trânsito desde 1999.

Os pedestres foram as principais vítimas: 133. Em segundo lugar vieram os motociclistas (98). Os homens lideram em disparada o ranking das vítimas, com 322 registros, contra 72 do gênero feminino. Quanto à faixa etária, pessoas com idade entre 30 anos e 39 anos foram as que mais morreram no trânsito do DF. O mês mais fatal foi maio, quando 48 pessoas foram a óbito em acidentes.

O aumento alarmante no número pode estar relacionado à diminuição na fiscalização. Segundo o Departamento de Trânsito do DF (Detran-DF), houve queda no policiamento durante o ano passado, o que acabou contribuindo para o aumento no número de vítimas.

“Tivemos um ano de 2016 bastante tumultuado, muitas manifestações, elevado número de eventos culturais, esportivos (Olimpíadas) e religiosos, que demandaram grandes efetivos de fiscalização de trânsito”, reconhece o diretor-geral interino do órgão, Silvain Fonseca. Com isso, blitzen e operações preventivas foram reduzidas.

De acordo com Silvain Fonseca, o ano de 2017 será diferente, já que, segundo o diretor-geral, entre dezembro do ano passado e janeiro último já foi registrada queda nos acidentes e mortes. No mês passado, de acordo com ele, foram 16 mortes, a menor quantidade de vítimas dos últimos 17 anos em todo o Distrito Federal. Se comparado ao mesmo período de 2016, quando ocorreram 26 mortes, houve uma redução de 38,5%.

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Apesar da diminuição no policiamento, no entanto, o Detran-DF recebeu cerca de R$ 110 milhões referentes a infrações de trânsito em 2016. O valor, divulgado na prestação de contas anual do departamento, representa alta de 13% na receita, que não aumentava desde 2013.

Formação de condutores
Para o professor da Universidade de Brasília (UnB) e especialista em segurança do trânsito David Duarte, no entanto, o foco dos investimentos deveria estar na formação de melhores motoristas.

“É precioso investir mais em educação e prevenção. Precisamos estudar melhor a infraestrutura e saber os pontos nos quais ocorrem o maior número de acidentes e os grupos envolvidos. Para melhorar a situação atual, são necessários educação e um acompanhamento contínuo. Os números provam que o trabalho tem sido insuficiente e é preciso avançar mais”, explica o professor.

Ainda de acordo com Duarte, as estatísticas de morte no trânsito não são suficientes para mensurar o real tamanho do problema. “Esses dados mostram apenas uma pontinha da situação. Existe ainda o número de feridos, por exemplo, que não entra nessas estatísticas. É lamentável. O nosso nível de mortalidade de trânsito é muito alto e o de insegurança também”, ressalta o professor.

MICHAEL MELO/METRÓPOLES

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Pais da pequena Thayla ainda esperam por justiça

 

Tristeza sem fim
Uma das vítimas que morreram no trânsito no ano passado é a pequena Thayla, seis anos. A menina atravessava a faixa de pedestres em uma avenida movimentada do Riacho Fundo com a família e foi pega por um carro, no dia 12 de dezembro.

Thayla seguia com a família para uma confraternização na escola do pai, André Mariano da Silva, que faz supletivo. Quanto atravessava a faixa de mãos dadas com André, foi surpreendida por um carro, que estaria em alta velocidade.

Além do pai, a mãe, a dona de casa Maria do Carmo de Souza, 24 anos, e os dois irmãozinhos da menina presenciaram toda a tragédia. Thayla sofreu traumatismo craniano, chegou a ser levada ao hospital, mas não resistiu. Quase dois meses depois da morte da filha do meio de André e Maria do Carmo, a mãe diz que o sofrimento é grande.

“Só Deus mesmo para nos consolar. Estamos seguindo a vida em frente, mas a saudade é muito grande”, garante a mãe. Segundo ela, o inquérito que apura a morte da filha, de acordo com o advogado, ainda não foi concluído. Os pais continuam, portanto, à espera de justiça.

Integração tarifária no DF: esclarecimentos da Secretaria de Mobilidade

http://www.semob.df.gov.br/imprensa/releases/item/2559-entenda-como-funciona-a-integra%C3%A7%C3%A3o-no-transporte-p%C3%BAblico-do-df.html

Segunda, 06 Fevereiro 2017

Entenda como funciona a integração no transporte público do DF

Agência Brasília

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Passageiros precisam dos cartões Vale-Transporte ou Cidadão. Quem paga em dinheiro não consegue usar o benefício

A cada 100 pessoas que usam o transporte público de Brasília e fazem mais de uma viagem em até duas horas, 40 deixam de aproveitar o benefício da integração tarifária, que oferece menor valor nas passagens. Isso porque, ao pagar com dinheiro, o usuário gasta mais do que gastaria com os cartões Vale-Transporte ou Cidadão.

O valor máximo da passagem para quem tem um dos dois cartões é de R$ 5, mesmo que pegue até três trajetos de diferentes preços. Por exemplo, se alguém anda em uma linha circular interna, que custa R$ 2,50, depois opta pelo metrô, a R$ 5, e, por último, embarca em uma linha de curta duração, a R$ 3,50, o valor final de toda a viagem será de R$ 5, desde que pague com o cartão. Se essa mesma pessoa optasse por usar dinheiro, pagaria, pelos mesmos trajetos, R$ 11.

A integração pode ser feita em qualquer parada de ônibus e em terminais rodoviários do DF e funciona entre ônibus, micro-ônibus e metrô. O intervalo máximo entre as viagens é de duas horas. “Muitas pessoas, por desconhecerem como funciona, pagam em dinheiro e acabam perdendo o direito”, resume o secretário de Mobilidade, Fábio Damasceno. A facilidade é regulamentada pelo Decreto n° 34.495, de junho de 2013.

De acordo com o secretário, a integração no DF é mais barata que em estados como Rio de Janeiro (R$ 5,55) e São Paulo (R$ 6,80). “E nós temos linhas com até 70 quilômetros de distância, o que não ocorre em outras cidades.”

Como adquirir os cartões Cidadão e Vale-Transporte

No caso do Cartão Cidadão, qualquer pessoa pode adquiri-lo. Para isso, basta ir a um posto de atendimento do Sistema de Bilhetagem Automática do Transporte Urbano do Distrito Federal (DFTrans), com RG e CPF. É necessária uma compra mínima de R$ 10 em créditos, válidos por 365 dias a partir do carregamento.

O Cartão Vale-Transporte é destinado a funcionários com direito ao recebimento do vale-transporte por parte do empregador, conforme a Lei nº 7.418, de 1985. No caso, a empresa é que deve acessar o site do DFTrans, em uma área exclusiva, e se cadastrar.

Integração com o Entorno

O governo de Brasília também investe em integração com o Entorno. Desde 14 de janeiro, passageiros de Luziânia (GO) têm a oportunidade de embarcar em um ônibus ao preço de R$ 2 na cidade goiana e seguir até o terminal do BRT em Santa Maria, onde começam a utilizar o sistema distrital de transporte. A medida, que faz parte do programa Circula Brasília, deve chegar gradualmente a outras cidades do entorno.

Agentes ambientais de bicicleta – boa ideia para Brasília

Texto e Fotos: Uirá Lourenço

foto_bicicleta_catador_relix_divulgacao_folha_uolFoto: Divulgação

 

Boa notícia vinda de Maceió (Alagoas). Os catadores de material reciclável receberam bicicletas para usar no serviço de coleta. Assim, deixa-se de sacrificar os cavalos e ainda se dissemina a cultura da bicicleta para transporte de carga, algo comum em muitos países.

A iniciativa do projeto Relix, que tem patrocínio do Sesi e apoio da secretaria estadual de meio ambiente, poderia servir de inspiração para a capital federal, onde centenas de pessoas usam a bicicleta na coleta de recicláveis.

Esses verdadeiros agentes ambientais, que fazem a coleta diária de material reciclável sem qualquer emissão de poluentes, merecem todo o apoio da sociedade e do setor governamental. Parabéns aos alagoanos pelos ganhos sociais e ambientais.

Tomara que os gestores públicos do Distrito Federal fiquem atentos às inovações que promovem melhorias ao meio ambiente e à mobilidade. Aliada à recente inauguração do aterro sanitário em Samambaia poderia ser desenvolvido projeto de inclusão social dos catadores informais, com cursos de capacitação e com o incentivo ao uso de bicicleta.

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No Distrito Federal muitos agentes ambientais usam a bicicleta na coleta de recicláveis.

 

Galeria de fotos da coleta de recicláveis feita com bicicleta (clique para conferir)

 

– Notícia sobre as bicicletas entregues em Maceió para a coleta de material reciclável:

http://olharanimal.org/bicicletas-de-carga-para-catadores-evitam-crueldade-com-cavalos/

Bicicletas de carga para catadores evitam crueldade com cavalos

27 de janeiro de 2017

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Foto: Derek Gustavo/G1

Uma ideia simples e sensacional foi implantada em Maceió (AL) este mês, para dar dignidade às pessoas que recolhem material reciclado pela cidade e para evitar a crueldade com cavalos, que puxam carroças pesadas pelas ruas…

Catadores de entulho receberam 30 bicicletas de carga para ajudá-los no trabalho diário na capital das Alagoas.

A ação é do Projeto Relix, que incentiva a reciclagem e a destinação correta do lixo.

As bicicletas são chamadas de “Ciclolix” e vão dar lugar a cenas comuns em várias partes do Brasil, de catadores com suas carroças puxadas por cavalos magros, muitas vezes, famintos, cansados e com sede.

As bikes de carga também trazem dignidade para os catadores.

“Essa bicicleta é muito maravilhosa. Sou catadora há 3 anos e ela vai ajudar bastante no trabalho, vai agilizar. Aí, além de catar os entulhos, aproveito para malhar as pernas pedalando”, brincou Maria Goreti da Silva Batista, em entrevista ao G1.

“Elas [as catadoras] ficam emocionadas, agradecem pelo que fizemos por elas. Isso me deixa feliz, mas triste também, pois estamos muito atrasados com relação à sustentabilidade. Há muita coisa que ainda podemos e devemos fazer para cuidar de nosso planeta”, afirma Lina.

O projeto Relix é patrocinado pelo Sesi Alagoas, com apoio institucional da Secretaria de Estado Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Estado de Alagoas.

Mande esta reportagem para o seu vereador, para o prefeito, para empresários de onde você mora.

É uma ideia boa e barata ser copiada na sua cidade, não acha?

Os cavalos agradecem!

Fonte: Só Notícia Boa (com informações do G1 e Governo de Alagoas)

Tarifa R$ 5 ou Tarifa Zero?

Transporte coletivo: solução constitucional e corajosa

Paíque Duques Santarém – antropólogo, doutorando em transporte (UnB) e militante do MPL-DF

O transporte coletivo do Distrito Federal é ruim, caro e está em crise. O Movimento Passe Livre do Distrito Federal e Entorno entende que a crise é causada por cinco questões: a gestão tecnocrática e burocrática; a instabilidade constante dos trabalhadores do serviço, que gera adoecimento e greves; o predomínio de interesses empresariais do lucro na execução e organização do transporte; o financiamento do serviço ser realizado pelas pessoas de baixa renda, por meio da tarifa; a péssima qualidade do serviço, em que as linhas funcionam somente em horários lucrativos e os veículos são desconfortáveis e sempre apresentam defeitos.

Por serem estruturais, as causas da crise não serão modificadas com medidas paliativas, como mudanças tecnocráticas do itinerário das linhas, licitações que não alteram a gestão do setor, enrolação nas negociações com trabalhadores do serviço, ataque às gratuidades, aumentos de tarifas de ônibus. Porém, os governos sempre recorrem a essas medidas, agravando as dificuldades em vez de atacar suas raízes.

O aumento de tarifas figura como a pior das medidas paliativas. Ele aprofunda a crise de mobilidade na cidade, pois menos pessoas poderão pagar os altos preços, reduzindo drasticamente suas viagens. Isso estrutura um círculo vicioso de aumentos, uma vez que, com menos pessoas usando o serviço com custos crescentes, cria-se a justificativa para novo reajuste. É um tipo de medida com difícil mensuração técnica, já que o controle das empresas privadas sobre a execução do serviço impossibilita que o governo conheça as planilhas de gastos utilizadas.

Os aumentos explicitam as fragilidades da atual estrutura de transporte. Eles são: 1) feitos para privilegiar o lucro dos empresários em detrimento da mobilidade urbana; 2) decididos de forma centralizada e autoritária sem nenhuma participação social; 3) justificados, normalmente, como consequências das garantias de direitos dos trabalhadores ou gratuidades dos usuários, jogando trabalhadores dos transportes e usuários uns contra os outros e aumentando a instabilidade de ambos; 4) ao contrário de melhorar a execução do serviço, os aumentos de passagens os tornam piores e caros; 5) ao aumentar o lucro dos empresários, elevam o poder das empresas de transporte sobre as decisões do governo.

Essa situação insustentável constitui um polo de significativos conflitos sociais. As crescentes manifestações de usuários do transporte coletivo expressam que a atual organização do transporte coletivo não está de acordo com as necessidades e demandas sociais. Precisamos, no mínimo, de uma corajosa reestruturação da mobilidade urbana local. A inclusão do transporte como direito social no artigo 6º da Constituição Federal (ocorrido em setembro de 2015) é o mote necessário para que seja realizada a reestruturação. O transporte coletivo deve mudar a organização de serviço privado para serviço público. Isso demanda, em nosso entendimento, cinco principais medidas, as quais listamos a seguir:

1 — Tributar a parcela riquíssima da sociedade para que ela financie o transporte coletivo. É o que chamamos de financiamento progressivo. Assim fica abolida a tarifa como forma de custear o transporte.

2 — Organização do transporte por meio de conselhos de usuários e trabalhadores do transporte, a chamada gestão popular.

3 — Execução do serviço por empresas públicas sob Gestão Popular. Pois, uma vez que não é mais um serviço orientado ao lucro, empresas privadas perdem o motivo de serem executoras do transporte coletivo.

4 — Estabilidade empregatícia para trabalhadores metrorrodoviários para melhorar a prestação do serviço.

5 — Em um sistema de transporte público de fato, a qualidade e a eficiência do serviço são os princípios norteadores do planejamento.

Esse conjunto de medidas básicas, que nomeamos de tarifa zero, pode abrir novo horizonte à mobilidade urbana e resolver as crises de financiamento, mobilidade e gestão do transporte coletivo. A reforma pode acabar com os problemas ocasionados por medidas paliativas, que dificilmente superam as dificuldades da mobilidade. É necessário agir com coragem, reestruturar o transporte coletivo e dar esperanças à mobilidade na capital.

Artigo publicado no Correio Braziliense (16/1/2017).

Decisão sobre o aumento da passagem: dignidade no transporte coletivo

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Está marcada para hoje (12/1), na Câmara Legislativa, a votação que pretende suspender o aumento da tarifa do transporte coletivo no Distrito Federal.

O aumento abusivo, de 40% em dois anos de governo, é uma afronta ao cidadão, diante das péssimas condições oferecidas. As imagens revelam o grande desconforto, a situação vexatória a quem usa e ônibus e metrô diariamente.

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Mais fotos do transporte coletivo no DF no álbum virtual (clique para ver).

 

Desde o aumento anunciado de surpresa pelo GDF, no final do ano passado, houve vários protestos nas ruas. Nas redes sociais e nos jornais muitas pessoas também reclamaram contra o aumento.

Na condição de senador, Rollemberg demonstrou indignação diversas vezes com a situação do transporte coletivo e, na campanha de 2014 para o Governo do Distrito Federal, muitas promessas foram feitas. No vídeo com discursos e promessas para o transporte coletivo, destacam-se o bilhete único no primeiro ano de governo, expansão do metrô, VLT e até redução do preço da passagem.

 

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Protestos na rodoviária e nas ruas: indignação com a tarifa de R$5.

 

Não bastasse a precariedade no transporte coletivo, quem busca alternativas ao carro e caminha e pedala pela cidade ainda sofre com graves problemas de insegurança e inacessibilidade. Os objetivos no programa de governo (ex.: promover acessibilidade, facilitar o uso das calçadas e ampliar o uso de bicicleta nos deslocamentos diários) foram esquecidos.

Em cidades modernas, a lógica é investir em modos de transporte alternativos ao automóvel, com grandes investimentos no transporte coletivo. Mas a capital federal parou no tempo e insiste em projetos e ações para incentivar ainda mais o transporte automotivo, a exemplo das obras de ampliação viária e de construção de túneis e viadutos no norte do DF. O vídeo Imobilidade e rodoviarismo no norte do DF revela o sufoco de quem usa ônibus, caminha e pedala na região.

 

A suspensão do aumento será votada em sessão extraordinária marcada para hoje (12/1), às 15h, na Câmara Legislativa. Além da presença na sessão de votação, as pessoas indignadas com o aumento abusivo podem enviar e-mail aos parlamentares.

Segue lista completa de e-mails dos 24 deputados: agaciel9@gmail.com, dep.bisporenato@cl.df.gov.br, celinaleao@gmail.com, chicoleite@chicoleite.org.br, chico@chicovigilante.com.br, dep.claudioabrantes@cl.df.gov.br, dep.cristianoaraujo@cl.df.gov.br, dep.joevalle@cl.df.gov.br, dep.juarezao@cl.df.gov.br, dep.juliocesar@cl.df.gov.br, deputada@lilianeroriz.com.br, lira.imperial@gmail.com, dep.luziadepaula@cl.df.gov.br, dep.profisrael@cl.df.gov.br, contato@deputado.reginaldoveras.com.br, rafael@rafaelprudente.com.br, dep.raimundoribeiro@cl.df.gov.br, dep.ricardovale@cl.df.gov.br, dep.roberionegreiros@cl.df.gov.br, dep.rodrigodelmasso@cl.df.gov.br, contato@deputadasandrafaraj.com.br, telmarufino@hotmail.com, dep.wasnyderoure@cl.df.gov.br, dep.wellingtonluiz@cl.df.gov.br