Semana da Mobilidade – alternativas ao automóvel

 

Nesta semana se celebra o Dia Mundial sem Carro (22/9), movimento iniciado em 1997, na França, e que se disseminou para vários países. Tradicionalmente se realizam diversas atividades para repensar o espaço dos carros na cidade, tais como: ruas de lazer (as ruas se convertem em espaço para as pessoas); vaga viva (estacionamento convertido em local para encontro, leitura e brincadeiras); bondes de bicicleta (pessoas se juntam para pedalarem até o local de trabalho); debates sobre mobilidade e qualidade de vida.

Na capital federal, o contexto urbano é convidativo ao carro: vias largas, alto limite de velocidade, transporte coletivo desintegrado e precário. Como vantagem adicional aos motoristas, estacionamento gratuito (incrivelmente, Brasília não tem estacionamento rotativo pago) e livre (a prática de se estacionar em calçadas, canteiros, rampas e ciclovias é disseminada e tolerada).

Sim, há argumentos para seguir de carro no dia a dia. Por outro lado, há muitos argumentos para buscar modos alternativos ao carro e escapar dos congestionamentos diários:

– fazer atividade física no trajeto, sem necessidade de academia

– integrar os modos de transporte (ex.: bicicleta e metrô)

– ter mais tempo para outras atividades, em vez de perder tempo no congestionamento (ex.: tempo para leitura no trajeto de metrô)

– fazer novos amigos e apreciar a natureza nos trajetos a pé, de bicicleta ou de ônibus/metrô

– ficar livre dos congestionamentos e não ter que procurar vaga para estacionar

O preço do combustível (o litro da gasolina passa de R$ 4) é mais um bom motivo para experimentar outros meios de transporte.

Vale lembrar a tendência atual de humanizar as cidades. As cidades modernas vêm investindo no transporte coletivo e nos modos saudáveis de transporte. Pistas, estacionamentos e viadutos cedem espaço, definitivamente (e não apenas num dia do ano), para praças, parques e ciclovias.

A Política Nacional de Mobilidade Urbana, de 2012, reflete a tendência de priorizar os modos coletivos e saudáveis de transporte. Além das ações governamentais voltadas à infraestrutura, como calçadas e ciclovias, mudanças de hábito são fundamentais na busca de uma cidade moderna e humanizada.

Para refletir sobre a mobilidade na capital federal e mostrar a viabilidade das formas saudáveis de transporte, o Brasília para Pessoas lança três vídeos para refletir sobre a mobilidade. Cenas cotidianas de pessoas que dispensam o carro e usam bicicleta e patins no dia a dia.

Como diz o Marco Aurélio (vídeo 1), que usou a bicicleta pela primeira vez para levar a filha à escola e percebeu que a ciclovia acaba de forma repentina: “Não tem infraestrutura legal, mas a gente vai achar uma alternativa, porque é muito legal andar de bicicleta.”

Fica o recado do patinador Saulo (vídeo 2): “Quero ver uma galera de patins, além da galera da bike. Vamos encher a Esplanada no dia a dia.”

Confira os vídeos e se inspire (clique na imagem para assistir)!

De bicicleta para a escola:

De patins e metrô ao trabalho:

De bicicleta na Asa Sul (Nas mãos de Deus):

 

SEMANA DA MOBILIDADE

Participe das atividades que celebram o Dia sem Carro!

Ao longo da semana, vai ter vaga viva, caminhada, audiências públicas, exibição de filmes e bondes de bicicleta para o trabalho.

A programação completa está no link: https://www.facebook.com/events/1578101612241020/

Participaremos da audiência pública no dia 21/9 (5ª-feira), às 9h, na CLDF.

E vamos realizar a 7ª edição da caminhada Jane’s Walk Brasília, no dia 23/9 (sábado). Saída da Asa Norte (entrada do UniCEUB) às 9h.

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Três minutos de Mobilidade Urbana

Conheça os três filmes produzidos pela família do blogueiro Uirá Lourenço para o Festival do Minuto. E aproveite para assistir aos outros concorrentes

FonteMobilize Brasil/Festival do Minuto

Cauã e Iuri, os repórteres de um dos documentários

Uirá Lourenço, blogueiro do Brasília para Pessoas, é mesmo um cara incansável: escreve, fotografa, produz vídeos e pressiona as autoridades do DF pela melhoria das condições de circulação de pedestres, ciclistas e pessoas com deficiência.

Junto com sua esposa Ronieli Barbosa, e com apoio de seus dois filhos Cauã e Iuri, ele produziu três vídeos para o Festival do Minuto, que neste ano tem a ideia de “Trajetos Urbanos” como um dos temas.

Um deles trata sobre a vida dos pedestres. “Mostra os perrengues dos que andam por Brasília”, conta Uirá. O outro é sobre a indignação de um cadeirante tentando passar na calçada em frangalhos, bem na frente do Poder Legislativo local. O último tem viés positivo, de incentivo à mobilidade saudável. Os filhos de Uirá e Roni entrevistam o servidor público João, ciclista que teve paralisia infantil mas supera o problema graças à bicicleta.

Assistam, curtam…
e aproveitem para ver os outros vídeos do Festival do Minuto…

Leia também:
Salto de crateras: competição realizada no aniversário de Brasília
Mobilidade na capital federal: obras, promessas e desesperança
Tragédia anunciada em Brasília: pedestre é morto em local perigoso

 

Texto originalmente publicado no portal Mobilize Brasil: http://www.mobilize.org.br/noticias/10521/tres-filmes-sobre-mobilidade-urbana.html

Desventuras do Caminhar – Dia Mundial do Pedestre (8/8)

O Brasília para Pessoas vem atuando em busca de uma cidade mais humana e acessível, em que as pessoas possam caminhar e pedalar em segurança e com conforto.

Para celebrar o Dia Mundial do Pedestre (8 de agosto), vamos realizar um trajeto curto (1 km) para observar a cidade e as condições ao pedestre.

Você é nosso convidado para as Desventuras do Caminhar. Venha caminhar e debater a cidade!

Sairemos do Setor Comercial Sul, da calçada em frente ao Hospital de Base. Confira o trajeto:

Disponível no link: https://drive.google.com/open?id=1YE8YBVNq5eEO6TkD_aEKpzBEsXI&usp=sharing

A caminhada faz parte da Semana do Caminhar (7 a 13/8), que envolve mais de 40 entidades espalhadas pelo país e é organizada pelo pessoal do Sampa Pé.

Durante a Semana do Caminhar, sete cidades receberão mais de 35 ​atividades gratuitas sobre mobilidade a pé e as cidades. O tema da Semana do Caminhar é “Caminhar dá liga”, destacando que, pelo caminhar, todos os meios de transportes são interconectados e as pessoas se ligam mais com a cidade e com outras pessoas. O dia 8 de agosto foi escolhido por ser a data em que os Beatles fizeram a icônica foto atravessando a Abbey Road em Londres, em 1969.

À noite, a programação voltada ao pedestre continua com debate promovido pela associação Andar a Pé – O Movimento da Gente. O bate-papo ocorrerá no Café Daniel Briand (104 Norte, Bloco A, loja 26). Na ocasião será apresentado o resultado do Safári Urbano, atividade de avaliação de calçadas de Brasília realizada em maio deste ano.

SAIBA MAIS:

– Artigo ilustrado sobre a situação dos Pedestres na capital federal

https://brasiliaparapessoas.wordpress.com/2017/05/25/pedestres-no-df-celebracao-ou-indignacao/

Pedestres no DF: celebração ou indignação?

 

– Vídeo inscrito no Festival do Minuto – Pedestres em apuros na capital federal

(clique para acessar o vídeo)

Curso gratuito Supere o medo de (dirigir) pedalar

Texto e imagens: Uirá Lourenço

O Detran-DF estampou notícia sobre mais uma edição do curso voltado aos motoristas que têm medo de assumir o volante. Curiosamente 5/6, data da notícia, é o Dia Mundial do Meio Ambiente.

Notícia sobre a nova edição do curso (clique na imagem para acessar a notícia)

A contradição é óbvia. Não bastasse a política rodoviarista ao longo dos anos no DF – com foco na ampliação das vias e na construção de túneis e viadutos –, o órgão de trânsito ainda ajuda os motoristas medrosos com curso gratuito.

Com o aumento do caos e da poluição causados pela crescente frota automotiva em circulação, seriam mais adequadas ações governamentais com o objetivo de desestimular o uso do carro. A Política Nacional de Mobilidade Urbana, em vigor há mais de cinco anos, é clara ao estabelecer como diretriz a prioridade dos modos de transportes saudáveis (“não motorizados”) sobre os motorizados e a prioridade do transporte coletivo sobre o transporte individual motorizado. E um dos objetivos da lei é promover o desenvolvimento sustentável.

Um detalhe a ser considerado: no DF, há empresas especializadas que oferecem cursos com o objetivo de superar o medo de dirigir. E o setor automotivo incentiva constantemente as pessoas a comprar e usar carro, como revelam os inúmeros anúncios na cidade e na mídia (jornal impresso, televisão, rádio e internet). Ou seja, não há necessidade do apoio governamental com cursos gratuitos.

   
   

Ao constatar a realidade no DF – transporte coletivo precário, calçadas destruídas e ciclovias vazias e sem conexão – conclui-se que outros setores do transporte precisam do apoio governamental. Em vez de insistir na lógica automotiva, cara e poluente, o investimento no setor de veículos limpos (VLT, ônibus elétrico e bicicleta) traria inúmeros benefícios à sociedade.

Diante de tanta carência na fiscalização de trânsito para coibir as reiteradas infrações motorizadas (ex.: estacionamento irregular sobre calçadas e canteiros e bloqueios nos cruzamentos de ciclovia), causa ainda mais perplexidade o gasto do Detran (recursos financeiros e humanos) com o curso para superar o medo do volante.

Ações inovadoras: Superação do medo de pedalar

Os órgãos gestores da mobilidade precisam se atentar para a tendência moderna de incentivar formas saudáveis e alternativas ao automóvel. As cidades modernas restringem cada vez mais o espaço destinado ao transporte individual motorizado (pistas, estacionamentos, túneis e viadutos) e as áreas centrais se abrem para as pessoas, com mais praças e parques.

Diversas notícias, especialmente de capitais europeias, comprovam a tendência de priorizar as pessoas, em vez de automóveis. O Detran, o DER, a Secretaria de Mobilidade e os demais órgãos gestores da mobilidade urbana precisam se convencer de que a saída para enfrentar o iminente colapso viário (já são cerca de 1 milhão e 700 mil veículos motorizados registrados no Detran) passa pela melhoria e prioridade absoluta ao transporte coletivo e aos modos saudáveis.

Fica a sugestão ao Detran-DF: oferecer cursos regulares gratuitos a quem tem medo de pedalar. Em vez de encorajar os motoristas medrosos, o Detran passaria a oferecer o curso gratuito Perca o medo de pedalar. Já ministrei palestras no Detran e em escolas sobre mobilidade urbana e me coloco à disposição para construir o conteúdo do curso e ministrar palestras, gratuitamente, com dicas práticas para usar a bicicleta no dia a dia.

Detran-DF (Diretoria de Educação), 2/8/2012

Escola Católica (Taguatinga), 11/9/2012

Palestras com orientações práticas para pedalar em segurança.

Com o recente lançamento de bicicletário e vestiários no Palácio do Buriti, um curso teórico-prático sobre o uso de bicicleta como meio de transporte seria um grande aliado na busca por um modelo de mobilidade saudável e ambientalmente correto. O trabalho educativo voltado aos servidores dos órgãos do GDF equipados com bicicletário complementaria o investimento em infraestrutura.

Resposta do Detran sobre o curso

O Brasília para Pessoas tem feito regularmente solicitações ao GDF com base na Lei de Acesso à Informação. Ao saber da notícia sobre mais uma edição do curso para superar o medo de dirigir, enviamos perguntas ao órgão.

Uma das questões enviadas referia-se à relevância do curso considerando a Política Nacional de Mobilidade Urbana (princípio do “desenvolvimento sustentável das cidades” e diretriz da “prioridade dos modos de transportes não motorizados sobre os motorizados e dos serviços de transporte público coletivo sobre o transporte individual motorizado”) e o fato de empresas privadas oferecerem cursos voltados à superação do medo de dirigir.

Em resposta, o Detran informou que o curso de superação do medo de dirigir “está em perfeita consonância com a Política Nacional de Trânsito, em especial, quanto aos objetivos de ‘Priorizar a preservação da vida, da saúde e do meio ambiente, visando à redução do número de vítimas, dos índices e da gravidade dos acidentes de trânsito e da emissão de poluentes e ruídos’ e o de ‘Efetivar a educação contínua para o trânsito, de forma a orientar cada cidadão e toda a comunidade, quanto a princípios, valores, conhecimentos, habilidades e atitudes favoráveis e adequadas à locomoção no espaço social, para uma convivência no trânsito de modo responsável e seguro’, visto que no curso não são abordadas apenas técnicas para redução da ansiedade no trânsito, mas são abertas reflexões sobre o papel de cada cidadão para a construção de um trânsito mais seguro e civilizado.

O texto da solicitação e a resposta completa podem ser consultados na seção do blog voltada às informações obtidas sobre mobilidade urbana.

SAIBA MAIS:

– Passo a passo de como solicitar informações sobre mobilidade

http://www.mobilize.org.br/noticias/9302/cidadania-e-mobilidade–como-cobrar-direitos-e-exigir-melhorias-do-poder-publico.html

Cidadania e mobilidade: Como cobrar direitos e exigir melhorias do poder público

– Vídeo Brasília: capital das ciclovias [cenas dos trajetos diários de bicicleta]

Calçada #Cilada 2017 – resultado enviado ao GDF

No dia 5 de julho o Brasília para Pessoas encaminhou ao Governo do Distrito Federal o resultado da campanha Calçada #Cilada 2017. Neste ano foram registradas 251 reclamações de cidadãos de todo o DF.

   

Ciladas denunciadas na campanha deste ano (ao lado do Conic e no Setor de Rádio e TV Sul).

A campanha nacional é promovida pela Corrida Amiga no mês de abril em várias cidades com o apoio e a participação ativa do Brasília para Pessoas e de diversas entidades espalhadas pelo país. Qualquer cidadão pode fazer denúncia das armadilhas no caminho e publicar a foto com a respectiva localização por meio do aplicativo Colab.

Em razão de no DF a competência sobre mobilidade e acessibilidade estar distribuída em mais de um órgão, o resultado da campanha foi encaminhado por e-mail aos seguintes órgãos públicos: Secretaria de Mobilidade, Secretaria de Gestão do Território e Habitação, Detran-DF, Novacap, Secretaria de Infraestrutura e Obras e Agefis.

Carta enviada por e-mail aos seis órgãos do GDF:

Foram enviados em anexo no e-mail para os órgãos: relatório com os resultados da campanha, planilha de fiscalizações, registro fotográfico das ciladas e clipping de reportagens (clique para acessar os anexos).

Neste ano, muitas das calçadas com crateras registradas no ano passado continuavam do mesmo jeito, abandonadas.

2016

2017

Crianças reprovam o estado da calçada na W3 Norte (709N). Um ano depois, a cratera continua.

2016

2017

No Setor Hoteleiro Norte, a cratera denunciada em 2016 ficou ainda maior após um ano.

Outras ações foram realizadas no mês da campanha, que coincide com o aniversário de Brasília (21 de abril). Além da segunda edição do Salto de Crateras (leia relato sobre a ação), o Super-Ando, super-herói dos pedestres, pousou por aqui no aniversário da cidade e deu uma grande ajuda aos pedestres que precisavam fazer a travessia entre o parque da cidade e a torre de TV (assista ao vídeo).

Esperamos que o GDF se sensibilize com o estado lamentável das calçadas, com os inúmeros bloqueios e com a ausência de calçadas e pontos de travessia. Além da insegurança revelada pelo número de mortes de pedestres (em 2016, 133 pedestres foram mortos nas vias do DF), as crateras e os bloqueios no caminho dificultam ou mesmo impedem a caminhada.

SAIBA MAIS:

Imobilidade na área central de Brasília (VÍDEO):

Crianças aplicam multa cidadã em carros sobre calçada (VÍDEO):

Pedestres no DF (álbum com centenas de fotos revela as condições para caminhar):

Flagrante de desrespeito à faixa de pedestre em Brasília

No dia 17/6 (sábado), ao voltar com as crianças para casa, fomos surpreendidos por um motorista que nos ignorou durante a travessia e passou em alta velocidade pela faixa. Apesar do aceno insistente do meu filho, o motorista passou direto, sem cerimônia. A cena está gravada no vídeo (clique para acessar).

 

Infelizmente o desrespeito é comum. As freadas bruscas e colisões próximas às faixas revelam que o respeito à faixa de pedestre enfraqueceu. A campanha de respeito à faixa, que tornou a capital federal referência, completou 20 anos em abril.

   
   

Freadas brusca, colisões e insegurança nas proximidades das faixas de travessia em Brasília.

Os dados sobre atropelamentos são preocupantes: em 2016, 133 pedestres foram mortos (em 2015, foram 112). E apenas na última semana três pedestres foram atropelados, um deles na faixa de travessia.

 

Nos comentários no vídeo postado no facebook, mais queixas quanto ao desrespeito na travessia.

Campanhas educativas são necessárias, assim como fiscalização regular, com agentes de trânsito na rua, para coibir o desrespeito na faixa. As infrações costumam ser causadas pelo excesso de velocidade e pela distração (celular ao volante).

– Texto original divulgado junto com o vídeo no facebook:

Flagrante de desrespeito à faixa de pedestre em Brasília (Asa Norte). Muitos motoristas ignoram até mesmo quando crianças imploram para atravessar…

Na capital “moderna”, com fama de respeito ao pedestre, a imprudência (excesso de velocidade) e a distração (uso de celular ao dirigir) agravam a insegurança.

Não foi a primeira vez – e duvido que seja a última – que um motorista ignora totalmente a nossa travessia. Felizmente estou aqui postando o vídeo-denúncia, com meus meninos em casa. Se não tivesse lhes ensinado desde cedo a ficarem alertas aos aloprados de plantão, poderia estar agora apreensivo num leito de hospital.

Ao andar e pedalar na selva brasiliense tem que estar sempre atento para sobreviver!

Pedestres no DF: celebração ou indignação?

Texto e fotos: Uirá Lourenço

Em abril se comemorou o aniversário de 20 anos da campanha de respeito à faixa de pedestres em Brasília. Sem dúvida, o respeito à faixa aqui é maior em relação a outras cidades brasileiras, graças ao trabalho iniciado há duas décadas. Mas o respeito ao pedestre vai além da faixa de travessia e requer ações governamentais com foco na humanização, uma tendência atual em cidades modernas, que priorizam as pessoas em detrimento dos carros.

A inacessibilidade ainda predomina em todo o Distrito Federal, inclusive na área central planejada. Não apenas por falta de rampas, mas especialmente pela invasão dos espaços públicos. Ao longo da Esplanada dos Ministérios, no Setor Comercial, no Setor Bancário e ao longo de toda a W3, para citar alguns exemplos, o cenário é desolador: carros invadem calçadas, canteiros e qualquer espaço livre.

   

Realidade na área central: invasão automotiva

A busca por uma cidade humanizada requer ações além da mera orientação ao pedestre para que acene a intenção de atravessar a via. As ações educativas e de fiscalização devem ser permanentes e dirigidas aos motoristas. Um programa de tolerância zero ao estacionamento irregular – em especial sobre calçadas, rampas de acesso e canteiros – daria o recado de civilidade exigido aos mais fortes no trânsito. Em vez de privilégios (estacionamento livre a ampliação de vias, entre outros), o motorista precisa de limites rígidos.

Claramente a tendência moderna em mobilidade é restringir o espaço destinado aos carros e incentivar o transporte coletivo e a mobilidade a pé e por bicicleta. No entanto, além do desconforto causado pelos carros e pelas crateras no caminho, os pedestres sofrem com a insegurança decorrente do excesso de velocidade e da imprudência. Os dados oficiais revelam que não há motivo para comemoração: em 2016, 132 pedestres foram mortos no DF, valor superior aos 112 mortos em 2015. Isso sem contar os inúmeros pedestres feridos em decorrência dos atropelamentos e das quedas nas crateras.

Há muito a fazer e é inaceitável o massacre nas ruas. Pedestres e ciclistas, os mais frágeis no trânsito, estão expostos a alto risco e as autoridades precisam agir. Cidades modernas, especialmente as capitais europeias, possuem programas de redução do limite de velocidade, como forma de aumentar a segurança no trânsito e promover o compartilhamento seguro das vias. No Distrito Federal não há programa amplo com o objetivo de reduzir o limite de velocidade e muitas vias, como o Eixão, a L4, a EPTG e a EPIA, possuem limite de 80 km/h (longe dos radares, muitos motoristas passam dos 100 km/h).

Campanha da Organização Mundial da Saúde reforça a importância de reduzir os limites de velocidade.

No Maio Amarelo (mês com campanhas voltadas à segurança no trânsito), os jornais destacam as mutilações de pedestres: no dia 2/5, uma jovem de 12 anos foi atropelada no Paranoá; no dia 11/5, um rapaz de 19 anos atropelado na EPIA Sul e um menino de 8 anos atropelado na BR-020; no dia 19/5, mais duas jovens (de 13 e 15 anos) foram atropeladas na BR-020, por motorista que invadiu o acostamento; no dia 22/5, duas pessoas atropeladas no Lago Norte por motorista que fugiu e não socorreu as vítimas. As notícias revelam que, além dos pedestres feridos e mortos, ciclistas, motociclistas e motoristas foram vítimas da violência no trânsito.

Eis uma mudança simples e simbólica: a redução do limite para 60 km/h no Eixão, que resultaria em maior segurança a todos (pedestres, ciclistas e motorizados). Mas, infelizmente, o que se percebe é o descaso com o pedestre ao longo dos anos. Enquanto se gastam mais de R$ 200 milhões na construção de túneis e viadutos no norte do DF, para se incentivar ainda mais o uso do carro, as passagens subterrâneas seguem abandonadas e perigosas. Em plena capital federal, um cadeirante ou alguém de muletas não consegue descer do ônibus e chegar sem apuros ao setor hospitalar (norte e sul).

   

No final da Asa Norte, pedestres em alto risco e sem calçada no entorno de obras milionárias de ampliação viária.

E o governo local não pode alegar desconhecimento dos problemas de insegurança e inacessibilidade. As queixas contra as péssimas condições aos pedestres são frequentes nos jornais e nas redes sociais. Há alguns anos se denuncia a insegurança na W3 Norte, com pontos críticos aos pedestres. Fiz solicitações ao Detran-DF, incluindo pedido para instalar faixa de pedestres e semáforo na altura da 713 Norte, onde todo dia adultos e crianças atravessam correndo a via, no meio de carros e ônibus em alta velocidade. Nunca houve qualquer providência, apesar das fotos e dos vídeos que revelam o alto risco.

Durante a campanha nacional Calçada Cilada de 2016, em que o cidadão denuncia problemas de acessibilidade por meio de aplicativo de celular, a capital federal se destacou com 231 queixas registradas, atrás apenas de São Paulo. Na campanha deste ano houve 251 reclamações e muitas das crateras do ano anterior estavam ainda maiores em razão da falta de manutenção e da invasão automotiva.

   
   

Algumas das crateras denunciadas na campanha Calçada Cilada 2017

É curioso notar que nossos governantes e gestores públicos responsáveis pela mobilidade viajam para a Europa e exaltam a qualidade do transporte público e a possibilidade de caminhar e usar a bicicleta como meio de transporte. Mas, ao retornarem a Brasília, enclausuram-se em carros (particulares ou oficiais) e são incapazes de propor ações com foco na segurança e na humanização. Em vez de inovação e modernidade, as autoridades propõem mais túneis, viadutos e estacionamentos.

– Manchetes das tragédias recentes no DF (maio/2017):

 

Saiba mais sobre a situação dos pedestres:

– Álbum de Fotos – confira imagens dos pedestres no DF:

https://goo.gl/photos/EtNwv93VniDav1h6A

– Vídeo Pedestres atletas na Asa Norte (W3):

https://www.youtube.com/watch?v=3DHvut8jc0M

– Vídeo sobre a política rodoviarista no norte do DF:

https://www.youtube.com/watch?v=rFDdaVe4bqM

 

 

Dia de Bike ao TrabalhoFB_IMG_1494559929568

 

Bondes em Brasília/DF:

ASA NORTE

1. SQN 412 a CLRN 703 – saída 7h20 – Puxador: Wille Marcel. Encontro na ciclovia em frente ao Colégio JK. Percurso pela L1 Norte até a CLN 205, travessia do Eixão pela passagem subterrânea e ciclovia da W1 até a CLN 303. Contato: 98223-2610

2. SQN 406 ao Buriti – saída 9:00 – Puxador: servidores da Semob e Milvo Rossarola. Encontro na estação de bicicletas compartilhadas da 406 norte. Contato: 99610-4077

3. SQN 214 a 605 sul – saída ás 7:00 – Puxador: Vítor.. Encontro na frente do Parque Olhos D’Água. Percurso pela L2 norte e L2 sul até o destino. Contato: 99907-7175

4. 710 Norte (W4/5) a CLDF – saída às 8h30 – Puxador: Uirá Lourenço. Encontro na ciclovia da w4/5, próximo a um caminhão de água de coco. Percurso pela ciclovia até o eixo monumental, depois ciclovia até o destino.

5. SQN 116 a SQN 406 – saída às 8h39 – Puxadora: Dani. Esse bonde depois encontra com o bonde nº 2, que vai ao Buriti. Contato:98678-9990

SUDOESTE
1. Parque do Bosque ao HRAN – saída às 7h30 – Puxadora: Ana Silvia Pires

SALTO DE CRATERAS – competição realizada no aniversário de Brasília

No aniversário de Brasília (21 de abril), atletas se reuniram para a competição anual de Salto de Crateras.

Graças às inúmeras crateras avantajadas, a capital federal se consolida como principal local de treino dos pedestres atletas. As calçadas destruídas, espalhadas por toda a cidade, atraem atletas de vários países e fazem da capital uma referência internacional na modalidade.

A disputa foi acirrada e, neste ano, a atleta nipônica Mity Hori venceu na categoria atleta revelação e bateu o recorde anterior de Super Ando.

A disputa final ocorreu na Esplanada dos Ministérios, na cratera mais avantajada da cidade. Os atletas foram aplaudidos por milhares de trabalhadores que passam a pé diariamente pelo local.

Fotos da tradicional competição: