Desordem e Retrocesso na mobilidade das cidades brasileiras

Por Paulinha Pedestre e Uirá Lourenço

Quando se é criança, os pais ensinam seus filhos a como se comportarem perante a sociedade. Mas, para isso, é necessário que dêem o exemplo. Caso contrário, os filhos ficarão confusos e podem se indignar.

Um paralelo pode ser estabelecido entre Estado e Sociedade: como assim querer multar pedestres e ciclistas que não utilizarem o espaço público “corretamente”? Mas que espaço?! As migalhas sem as mínimas condições de uso, especialmente aos que apresentam restrições de mobilidade?

     
     

A realidade sofrida de pedestres e ciclistas. Fotos de Brasília (parte superior) e Belém (parte inferior).

A intenção é tratar as pessoas como objetos, tal como os automóveis? Teremos placas com letras e números para nos identificar e uma carteira de habilitação recebida após o curso de como ser pedestre, oferecido pelo Detran, ministrado por motoristas servidores do órgão? A Carteira Nacional de Pedestre (CNP) será suspensa caso não atravessemos na faixa que, muitas vezes, não existe ou está mal localizada?

Haverá ainda curso para habilitar os ciclistas, que terão a Carteira Nacional de Ciclista (CNC), suspensa após se aventurarem na contramão em via sem qualquer espaço para os seres desprovidos de motor? Para completar, nós, pedestres e ciclistas, teremos que pagar o imposto anual chamado de IPMA (Imposto sobre Pessoas com Mobilidade Ativa)?

Espere aí! Mobilidade ativa agora é sinônimo de problema? O engraçado é que, com o espírito de cachorro vira-lata que temos, não conseguimos importar dos países desenvolvidos as ideias, de fato, relevantes, tais como pensar cidades para pessoas e não para carros, de acordo com os preceitos de Jane Jacobs, Jan Gehl e Jeff Speck, que nos brindaram com ótimas referências de planejamento urbano: Morte e Vida de Grandes Cidades, Cidades para Pessoas e Cidade Caminhável.

Em cidades europeias que, há décadas, têm planejado para as pessoas destaca-se a infraestrutura de ótima qualidade para se caminhar e pedalar. É nítida a distribuição justa do espaço, com prioridade ao transporte coletivo e à mobilidade ativa. Baixo limite de velocidade, sinalização voltada à segurança de pedestres e ciclistas e restição ao automóvel, especialmente na área central, compõem o ambiente humanizado.

   

Amsterdã (à esquerda) e Copenhague (à direita): bons exemplos em mobilidade urbana.

É, nosso país além de sofrer de colesterol urbano, “acúmulo, em nossas veias e artérias, do uso excessivo do automóvel” (segundo Jaime Lerner), não contente, quer que a população sofra também de transtorno psicótico urbano. Ou seja, percepções falsas, tais como ouvir, ver e sentir algo que não existe, como se pedestre ou ciclista fosse algo danoso à cidade e, deste modo, passassem a adoecer em razão do caos urbano?

A recente decisão de regulamentar os artigos do Código de Trânsito que tratam da punição de pedestres e ciclistas, por meio da Resolução do Contran n° 706/2017, mostra-se inoportuna e inadequada. A infraestrutura precária aos seres desprovidos de motor e o ambiente urbano voltado ao rei automóvel obrigam pedestres e ciclistas a cometerem aparentes infrações. Mas as aparênicas enganam e, muitas vezes, a conduta decorre da opressão urbana contra pedestres e ciclistas, dos inúmeros percalços no caminho: calçadas destruídas e invadidas por carros, rampas inexistentes ou bloqueadas, calçadas e ciclovias sem continuidade.

   

Pedestres e ciclistas dividem espaço com os carros por necessidade. Fotos de Brasília.

Em vez de punições, precisamos dar incentivos à mobilidade ativa. Pessoas de qualquer idade deveriam se sentir seguras ao se deslocar para a escola ou para o trabalho. Precisamos de cidades humanizadas, com mais pessoas caminhando e pedalando, o que traria benefícios à sociedade (menos congestionamentos e poluição) e benefícios individuais (qualidade de vida, saúde e economia). Vale lembrar que o país se destaca não só pelo colesterol urbano, mas também pelo colesterol humano, com índices crescentes de obesidade.

Por fim, esperemos que nossos filhos e netos não tenham que alterar a escrita da nossa bandeira para Desordem e Retrocesso.

 

SAIBA MAIS:

Pedestres em apuros na capital federal (VÍDEO)

Imobilidade no início da Asa Sul (VÍDEO)

Nota Pública contra a decisão de multar pedestres e ciclistas

A UCB (União de Ciclistas do Brasil) e a associação Cidade a Pé publicaram nota contra a resolução do Contran, assinada por várias entidades apoiadoras:

http://www.uniaodeciclistas.org.br/manifestacoes/injusto-multar-pedestres-e-ciclistas/

https://cidadeape.org/2017/10/27/nota-publica-injusto-multar-pedestres-e-ciclistas/

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Capacete por opção, e não por obrigação

Texto e fotos: Uirá Lourenço

Se o uso de capacete gera debate acalorado no meio ciclístico, imagine pra quem é de fora do meio. Para quem nunca usou bicicleta como meio de transporte parece absurda a ideia de não pôr o casco na cabeça. Aliás, recentemente, tive a reação chocada de duas colegas de trabalho, em dias distintos, ao me verem sem capacete, só com um chapelão que protege do sol. Uma delas não se conteve: “como assim, você sem capacete?”

Cabe o esclarecimento que, antes, sempre usava capacete. Há algum tempo, optei por não usar, mais por uma questão simbólica/ideológica de passar a imagem da bicicleta como algo trivial, que dispensa o uso de acessórios. Em Brasília, há muitos grupos voltados ao lazer e esporte. O uso da bicicleta como meio de transporte vem crescendo, mas ainda se tem uma visão muito associada a esporte. Aliás, mesmo sem capacete e com roupa normal de trabalho, ainda ouço conhecidos me saudarem como atleta.

Meus filhos têm menos de 10 anos e sempre usam capacete, por recomendação minha e por costume. Minha esposa gosta de usar, mas não o coloca sempre. Eu tenho o meu e, quando percorro distâncias mais longas e com mais conflitos no percurso, opto por usar o capacete. À noite, ele ajuda na visibilidade: colei refletivos na superfície externa.

Pela experiência que tive de pedalar em cidades europeias, da Holanda, Dinamarca, Alemanha e França (referências em mobilidade), e considerando a experiência em Brasília (o contraponto à ideia de cidade humanizada), me convenci de que a segurança do ciclista – das pessoas em geral, incluindo pedestres e motoristas – é garantida com um ambiente humanizado. Não são os acessórios que garantem segurança.

A multidão que pedala e forma congestionamentos nas cidades da Holanda e da Dinamarca não usa capacete (o uso é esporádico, mais comum entre crianças). Seriam eles europeus loucos e radicais, sem cuidado com a própria segurança?

Ciclistas em Amsterdã

Considerando nosso contexto urbano, bastante voltado ao rei automóvel, em que se destacam o alto limite de velocidade e as grandes obras de ampliação viária, com construção de túneis e viadutos na busca insana por fluidez motorizada, a busca de segurança por meio de acessórios apenas retira o foco das reais causas de insegurança.

Os próprios órgãos de trânsito disseminam a imagem da bicicleta como algo inseguro (com ciclistas na cidade equipados com luvas, joelheiras, cotoveleiras e capacete), em vez de ressaltar os inúmeros benefícios da bicicleta e de garantir um ambiente humanizado e atrativo para mais pessoas de bicicleta (ou a pé, de patins ou patinete).

Ilustração no material Paz e Cidadania no Trânsito, do Governo do Distrito Federal

Devemos lutar pela humanização das cidades, por um ambiente urbano que seja favorável às pessoas. Em vez de vias largas e de alta velocidade, vias com limite reduzido de velocidade e com justa distribuição do espaço: faixas com prioridade ao transporte coletivo; calçadas; ciclovia, ciclofaixa ou compartilhamento seguro, com sinalização.

Num país em que o aspirante a motorista faz um teste simples para dirigir (ou seria para pilotar?) e se transforma num autêntico pateta, mirando pedestres e ciclistas, não há capacete que proteja, por melhor e mais caro que seja. Numa colisão envolvendo pedestre ou ciclista e um motorista a 80 km/h, não sobra nada.

Há que se considerar que estamos num dos países com maior desigualdade social. Muitos usam a bicicleta não por opção, mas por obrigação, para poupar a passagem de ônibus e sobrar um trocado a mais no fim do mês. Muitas vezes, o principal acessório de proteção/conforto é um par de chinelos. Como exigir que esses trabalhadores passem a usar capacete?

   

Trabalhadores usuários de bicicleta

Mesmo se a obrigatoriedade do capacete fosse algo louvável, uma tendência mundial com evidências claras de promoção da segurança, ficaria a dúvida quanto à efetividade da lei. Temos as famosas leis que não pegam. Haveria campanhas educativas voltadas ao uso do capacete? Haveria fiscalização para garantir o cumprimento? Haveria programas para distribuir gratuitamente os cascos aos ciclistas de baixa renda?

Levando-se em conta a escassez de recursos, a grave crise econômica e orçamentária, há que se priorizar os investimentos. Qual seria a melhor opção: investir na obrigatoriedade e na compra de capacetes, em educação e fiscalização do uso de capacete; ou investir em infraestrutura (ciclovias, ciclofaixas e bicicletários) e em programas de humanização, que incluam redução da velocidade e melhor formação dos motoristas, por exemplo?

As consequências jurídicas da obrigatoriedade do capacete devem ser ressaltadas. Se já há certa angústia em relação à impunidade e às penas brandas nos crimes de trânsito, imagine se os motoristas envolvidos em atropelamento puderem se defender com base no fato de a vítima estar sem o capacete como item obrigatório de segurança.

Lembremos que a indústria automotiva tem forte peso, a ponto de influenciar as leis e as ações governamentais (ex.: isenção de IPI ao setor automotivo; obras rodoviaristas) e de inundar as ruas e os jornais com anúncios diariamente. A bandeira da obrigatoriedade do capacete ajusta-se bem aos interesses do setor automotivo, de pôr uma armadura nos demais usuários da via a fim de minimizar impactos contra as máquinas possantes com alta tecnologia a bordo.

No dia 5 de outubro, a Folha de São Paulo estampou, em vez das manchetes usuais, uma capa com informe publicitário da Toyota, com destaque para a segurança.

Um dos textos da capa publicitária destaca o prêmio na segurança aos pedestres, que considera o “nível máximo de lesões toleradas” em atropelamentos.

   

Folha de São Paulo (5/10/2017)

Fiquei imaginando um texto voltado aos ciclistas. Algo como: com o Corolla, você garante proteção à sua família e aos ciclistas eventualmente atropelados, caso eles estejam com os itens obrigatórios.

Antes de nos impormos obrigações, lutemos por nossos direitos de pedalar em segurança e de viver em cidades agradáveis, humanizadas, onde se priorizam os modos de transporte coletivos e saudáveis. O Código de Trânsito e a Política Nacional de Mobilidade Urbana estão aí para fundamentar nossa busca por cidades seguras.

Por fim, destaco que este texto não é uma apologia ao não uso do capacete. Trata-se de uma ponderação sobre o uso do capacete no meio urbano, sobre a bicicleta como meio de transporte. Na cidade, a segurança deve ser buscada por meio da humanização, com redução de velocidade e promoção da cultura do respeito voltada especialmente aos mais vulneráveis (pedestres e ciclistas). A busca por uma cidade segura e humanizada passa longe da ideia de “blindar” as pessoas com capacetes ou armaduras que as protejam da hostilidade e da imprudência motorizada.

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* Escrevi o texto em debate sobre capacete na lista de e-mails da UCB (União de Ciclistas do Brasil). O assunto surgiu em razão da aprovação pelos vereadores de Goiânia, no dia 20/9/2017, de projeto de lei (PL 459/2015) que obriga o uso de capacete pelos ciclistas. O projeto de lei de Goiânia, que ainda seguiria para sanção ou veto do governador, é cópia do PL n° 468/2015, apresentado na Câmara Municipal de São Paulo dois meses antes (o PL de Goiânia foi apresentado em 24/11/2015 e o PL de São Paulo foi apresentado em 4/9/2015).

SAIBA MAIS:

Documento da União de Ciclistas do Brasil (UCB) enviado ao prefeito de Goiânia com argumentos contrários à obrigatoriedade do capacete

Vídeo – Pateta no Trânsito:

 

Crise de Imobilidade: cadê o racionamento?

Texto e fotos: Uirá Lourenço

Em setembro se celebrou o Dia Mundial sem Carro (22/9) e é oportuna a reflexão sobre a imobilidade no Distrito Federal. As cidades modernas expandem metrô, criam linhas de VLT e investem em sistema integrado com ciclovias conectadas e caminhos acessíveis. Para complementar, restringem o espaço dos carros e cobram caro pelo uso do automóvel: pedágio urbano, restrições na área central e estacionamento rotativo pago existem há décadas. A tendência atual é humanizar as cidades, que inclui reduzir os limites de velocidade e converter estacionamentos e viadutos em praças, parques e ciclovias.

Por outro lado, a “moderna” Brasília resiste às mudanças e insiste na lógica centrada no automóvel. Na busca incessante por fluidez motorizada, constroem-se ainda mais pistas, túneis e viadutos. Canteiros, calçadas, ciclovias e rampas são invadidos diariamente para acomodar a frota automotiva que já passa de 1,7 milhão. Estaciona-se livremente e sem ônus: até hoje a capital federal não tem zona azul, que existe em São Paulo desde 1974.

Ponto de ônibus lotado (W3 Norte)

Calçada invadida por carros (Anexo da Esplanada dos Ministérios)

Quanto ao transporte coletivo, uma das marcas registradas de Brasília é a precariedade do sistema, sem informações e, muitas vezes, sem abrigo. À noite e nos finais de semana, os ônibus somem das ruas. Em muitas vias, como o Eixo Monumental, o usuário de ônibus é penalizado e fica preso no congestionamento por falta de espaço exclusivo. Apesar das promessas de expansão, o metrô empacou nos 42 km de extensão e as linhas de VLT não se concretizaram como legado da Copa do Mundo. De positivo, deve-se destacar o Bilhete Único, originalmente prometido para 2015 e lançado no dia 22 de setembro deste ano. Resta saber se outras ações serão tomadas para promover a necessária migração do automóvel para o transporte coletivo.

A Política Nacional de Mobilidade Urbana, de 2012, e as várias leis distritais – tais como a Lei n° 3.885/2006 (Política de Mobilidade Urbana Cicloviária) e a Lei n° 4.566/2011 (Plano Diretor de Transporte Urbano e Mobilidade/PDTU) – foram incapazes de mudar o contexto urbano voltado ao automóvel. As mudanças de denominação dos programas e das obras governamentais ao longo do tempo – Brasília Integrada, Pedala DF, Linha Verde e Circula Brasília – também se mostram inócuas.

Nomes e logomarcas de programas governamentais (clique para ver outros exemplos)

Na condição de capital federal, Brasília deveria ser exemplo em mobilidade urbana. A Esplanada dos Ministérios, que abriga a cúpula administrativa dos três Poderes da República, deveria ser a vitrine da mobilidade moderna e humanizada estabelecida na Política Nacional de Mobilidade Urbana. No entanto, não se consegue sequer caminhar da rodoviária do Plano Piloto até a Catedral, numa distância inferior a 1 km. As calçadas deterioradas, a ausência de rampas e as ciclovias descontínuas dificultam a mobilidade ativa.

A crise de imobilidade é evidente. Os congestionamentos, as calçadas e os canteiros transformados em estacionamento são sinais de que não há espaço para tantos carros. Segundo estudo que embasou o PDTU, o colapso das vias ocorrerá em 2020. Ao constatar o caos diário, a impressão é que o dia D da imobilidade ocorrerá antes da data prevista. Em junho de 2008, o GDF promoveu o seminário “Brasília 1.000.000 de Veículos – desafios e soluções para ultrapassar este problema”. É possível que em junho de 2018 se realize novo seminário para debater os desafios ao alcançar a marca de 2 milhões de veículos motorizados. Os diversos eventos e debates sobre mobilidade urbana, realizados ao longo dos diferentes governos, não resultaram em avanços significativos.

Eventos sobre mobilidade urbana em Brasília (clique para ver registros de mais eventos)

Em resposta à crise hídrica, foram adotadas medidas drásticas, como o racionamento, com o objetivo de reduzir o consumo de água. No entanto, em reposta à grave crise de imobilidade que se prolonga há décadas, não se adotam medidas efetivas. Em vez de se promover o racionamento no uso do espaço urbano, de se restringir a circulação de carros na área central, criam-se mais facilidades aos motoristas. O conjunto de pistas, túneis e viadutos em construção no norte do DF, com o objetivo de beneficiar mais de 100 mil motoristas, revela a miopia governamental. No artigo com balanço dos mil dias de governo, publicado no Correio Braziliense (28/9/2017), o governador exalta as obras voltadas ao rei automóvel: “Nenhum outro governo fez tantas pontes e viadutos”.

É preciso repensar o modelo de cidade que queremos: se desejamos uma Cidade Parque ou uma Cidade Parking. Uma cidade em que as pessoas possam caminhar, contemplar a natureza e usar o transporte coletivo de forma cômoda e ágil, ou uma cidade em que se tenha que necessariamente usar carro para sair de casa, dominada por pistas e estacionamentos e sem espaços de lazer e convívio.

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Artigo atualizado e adaptado da versão publicada no jornal Correio Braziliense em 16/10/2017.

 

SAIBA MAIS (clique para conferir):

Agentes-mirins de trânsito aplicam multas cidadãs em carros estacionados na calçada:

Calçadas, ciclovias e canteiros invadidos na área central de Brasília (dia de protesto contra a corrupção na Esplanada):

Vídeo sobre a política rodoviarista no norte do DF (TTN – “Terrível Trevo Norte”):

 

 

“Nenhum outro governo fez tantas pontes e viadutos”

Com esta declaração, o governador Rodrigo Rollemberg resumiu as ações voltadas à mobilidade. Ao fazer balanço de mil dias de governo, em artigo publicado no jornal Correio Braziliense (28/9/2017), o atual governador exalta a política rodoviarista vigente, que prioriza o transporte automotivo. A principal obra em andamento, com custo inicial de R$ 207 milhões, é o Trevo de Triagem Norte (TTN), também conhecido como Terrível Trevo Norte, que consiste num conjunto de pistas, túneis e viadutos que vem devastando grande área na busca incessante por fluidez automotiva.

   

Devastação causada pelas obras do TTN: túneis, pontes e viadutos no norte do DF

O artigo do governador destaca o TTN entre os “investimentos relevantes”. É nítida a contradição com o programa de governo, que dedica um capítulo à mobilidade:

“O modelo de mobilidade urbana centrado no alargamento de vias para escoar o crescente número de veículos movidos a combustíveis fósseis dá claros sinais de esgotamento e tem significativos impactos negativos sobre o clima e a qualidade do ar.”

“É obrigação do poder público oferecer, direta ou indiretamente, alternativas ao automóvel, como calçadas e ciclovias conectadas e de qualidade, transporte coletivo eficiente, com o uso integrado de ônibus, metrô e trens urbanos e metropolitanos, a fim de avançar na transição para a economia de baixo carbono também no setor de transportes.”

O texto com a frase que exalta o modelo centrado no transporte individual motorizado foi publicado na semana seguinte à celebração do Dia Mundial sem Carro (22/9), momento em que se discutem ações para melhorar a mobilidade e qualidade de vida na cidade. Na audiência pública realizada na Câmara Legislativa do Distrito Federal sobre mobilidade urbana, no dia 21/9, os palestrantes e o público foram enfáticos na necessidade de mudança do modelo rodoviarista para um modelo humanizado, com menor limite de velocidade nas vias e com prioridade ao transporte coletivo e aos modos ativos.

A lógica automotiva declarada no artigo do governador poderia ser pensada na ótica caminhante: Nenhum outro governo fez tão pouco pelos pedestres.

Ao caminhar pela capital federal e tropeçar nas inúmeras crateras, a impressão é que, com tantos recursos gastos com túneis e viadutos, não sobrou nada para os pedestres. Mesmo a área central da capital “moderna” é inacessível.

Realidade no DF: calçadas com muitas crateras e invadidas por muitos carros.

Percebe-se que a necessária mudança de paradigma – do modelo rodoviarista insustentável baseado no automóvel para o modelo moderno centrado nas pessoas – requer não apenas infraestrutura, mas especialmente mudança de mentalidade dos gestores públicos e planejadores. As cidades modernas de verdade vêm investindo há décadas num modelo humanizado, menos dependente do carro e com mais praças e parques, em vez de túneis e viadutos.

SAIBA MAIS:

– Nota de Repúdio do Brasília para Pessoas:

https://brasiliaparapessoas.wordpress.com/2016/08/19/nota-de-repudio-ao-gdf-contra-a-politica-rodoviarista-cara-e-atrasada/

NOTA DE REPÚDIO AO GDF CONTRA A POLÍTICA RODOVIARISTA CARA E ATRASADA

– Vídeo sobre a Imobilidade no norte do DF:

https://www.youtube.com/watch?v=rFDdaVe4bqM

Imobilidade e rodoviarismo no norte do DF

 – Álbum com fotos da devastação e do rodoviarismo no norte do DF:

https://www.facebook.com/media/set/?set=a.1090651480970945.1073741843.100000783095745&type=1&l=182d9429e2

Semana da Mobilidade – alternativas ao automóvel

 

Nesta semana se celebra o Dia Mundial sem Carro (22/9), movimento iniciado em 1997, na França, e que se disseminou para vários países. Tradicionalmente se realizam diversas atividades para repensar o espaço dos carros na cidade, tais como: ruas de lazer (as ruas se convertem em espaço para as pessoas); vaga viva (estacionamento convertido em local para encontro, leitura e brincadeiras); bondes de bicicleta (pessoas se juntam para pedalarem até o local de trabalho); debates sobre mobilidade e qualidade de vida.

Na capital federal, o contexto urbano é convidativo ao carro: vias largas, alto limite de velocidade, transporte coletivo desintegrado e precário. Como vantagem adicional aos motoristas, estacionamento gratuito (incrivelmente, Brasília não tem estacionamento rotativo pago) e livre (a prática de se estacionar em calçadas, canteiros, rampas e ciclovias é disseminada e tolerada).

Sim, há argumentos para seguir de carro no dia a dia. Por outro lado, há muitos argumentos para buscar modos alternativos ao carro e escapar dos congestionamentos diários:

– fazer atividade física no trajeto, sem necessidade de academia

– integrar os modos de transporte (ex.: bicicleta e metrô)

– ter mais tempo para outras atividades, em vez de perder tempo no congestionamento (ex.: tempo para leitura no trajeto de metrô)

– fazer novos amigos e apreciar a natureza nos trajetos a pé, de bicicleta ou de ônibus/metrô

– ficar livre dos congestionamentos e não ter que procurar vaga para estacionar

O preço do combustível (o litro da gasolina passa de R$ 4) é mais um bom motivo para experimentar outros meios de transporte.

Vale lembrar a tendência atual de humanizar as cidades. As cidades modernas vêm investindo no transporte coletivo e nos modos saudáveis de transporte. Pistas, estacionamentos e viadutos cedem espaço, definitivamente (e não apenas num dia do ano), para praças, parques e ciclovias.

A Política Nacional de Mobilidade Urbana, de 2012, reflete a tendência de priorizar os modos coletivos e saudáveis de transporte. Além das ações governamentais voltadas à infraestrutura, como calçadas e ciclovias, mudanças de hábito são fundamentais na busca de uma cidade moderna e humanizada.

Para refletir sobre a mobilidade na capital federal e mostrar a viabilidade das formas saudáveis de transporte, o Brasília para Pessoas lança três vídeos para refletir sobre a mobilidade. Cenas cotidianas de pessoas que dispensam o carro e usam bicicleta e patins no dia a dia.

Como diz o Marco Aurélio (vídeo 1), que usou a bicicleta pela primeira vez para levar a filha à escola e percebeu que a ciclovia acaba de forma repentina: “Não tem infraestrutura legal, mas a gente vai achar uma alternativa, porque é muito legal andar de bicicleta.”

Fica o recado do patinador Saulo (vídeo 2): “Quero ver uma galera de patins, além da galera da bike. Vamos encher a Esplanada no dia a dia.”

Confira os vídeos e se inspire (clique na imagem para assistir)!

De bicicleta para a escola:

De patins e metrô ao trabalho:

De bicicleta na Asa Sul (Nas mãos de Deus):

 

SEMANA DA MOBILIDADE

Participe das atividades que celebram o Dia sem Carro!

Ao longo da semana, vai ter vaga viva, caminhada, audiências públicas, exibição de filmes e bondes de bicicleta para o trabalho.

A programação completa está no link: https://www.facebook.com/events/1578101612241020/

Participaremos da audiência pública no dia 21/9 (5ª-feira), às 9h, na CLDF.

E vamos realizar a 7ª edição da caminhada Jane’s Walk Brasília, no dia 23/9 (sábado). Saída da Asa Norte (entrada do UniCEUB) às 9h.

Três minutos de Mobilidade Urbana

Conheça os três filmes produzidos pela família do blogueiro Uirá Lourenço para o Festival do Minuto. E aproveite para assistir aos outros concorrentes

FonteMobilize Brasil/Festival do Minuto

Cauã e Iuri, os repórteres de um dos documentários

Uirá Lourenço, blogueiro do Brasília para Pessoas, é mesmo um cara incansável: escreve, fotografa, produz vídeos e pressiona as autoridades do DF pela melhoria das condições de circulação de pedestres, ciclistas e pessoas com deficiência.

Junto com sua esposa Ronieli Barbosa, e com apoio de seus dois filhos Cauã e Iuri, ele produziu três vídeos para o Festival do Minuto, que neste ano tem a ideia de “Trajetos Urbanos” como um dos temas.

Um deles trata sobre a vida dos pedestres. “Mostra os perrengues dos que andam por Brasília”, conta Uirá. O outro é sobre a indignação de um cadeirante tentando passar na calçada em frangalhos, bem na frente do Poder Legislativo local. O último tem viés positivo, de incentivo à mobilidade saudável. Os filhos de Uirá e Roni entrevistam o servidor público João, ciclista que teve paralisia infantil mas supera o problema graças à bicicleta.

Assistam, curtam…
e aproveitem para ver os outros vídeos do Festival do Minuto…

Leia também:
Salto de crateras: competição realizada no aniversário de Brasília
Mobilidade na capital federal: obras, promessas e desesperança
Tragédia anunciada em Brasília: pedestre é morto em local perigoso

 

Texto originalmente publicado no portal Mobilize Brasil: http://www.mobilize.org.br/noticias/10521/tres-filmes-sobre-mobilidade-urbana.html

Desventuras do Caminhar – Dia Mundial do Pedestre (8/8)

O Brasília para Pessoas vem atuando em busca de uma cidade mais humana e acessível, em que as pessoas possam caminhar e pedalar em segurança e com conforto.

Para celebrar o Dia Mundial do Pedestre (8 de agosto), vamos realizar um trajeto curto (1 km) para observar a cidade e as condições ao pedestre.

Você é nosso convidado para as Desventuras do Caminhar. Venha caminhar e debater a cidade!

Sairemos do Setor Comercial Sul, da calçada em frente ao Hospital de Base. Confira o trajeto:

Disponível no link: https://drive.google.com/open?id=1YE8YBVNq5eEO6TkD_aEKpzBEsXI&usp=sharing

A caminhada faz parte da Semana do Caminhar (7 a 13/8), que envolve mais de 40 entidades espalhadas pelo país e é organizada pelo pessoal do Sampa Pé.

Durante a Semana do Caminhar, sete cidades receberão mais de 35 ​atividades gratuitas sobre mobilidade a pé e as cidades. O tema da Semana do Caminhar é “Caminhar dá liga”, destacando que, pelo caminhar, todos os meios de transportes são interconectados e as pessoas se ligam mais com a cidade e com outras pessoas. O dia 8 de agosto foi escolhido por ser a data em que os Beatles fizeram a icônica foto atravessando a Abbey Road em Londres, em 1969.

À noite, a programação voltada ao pedestre continua com debate promovido pela associação Andar a Pé – O Movimento da Gente. O bate-papo ocorrerá no Café Daniel Briand (104 Norte, Bloco A, loja 26). Na ocasião será apresentado o resultado do Safári Urbano, atividade de avaliação de calçadas de Brasília realizada em maio deste ano.

SAIBA MAIS:

– Artigo ilustrado sobre a situação dos Pedestres na capital federal

https://brasiliaparapessoas.wordpress.com/2017/05/25/pedestres-no-df-celebracao-ou-indignacao/

Pedestres no DF: celebração ou indignação?

 

– Vídeo inscrito no Festival do Minuto – Pedestres em apuros na capital federal

(clique para acessar o vídeo)

Curso gratuito Supere o medo de (dirigir) pedalar

Texto e imagens: Uirá Lourenço

O Detran-DF estampou notícia sobre mais uma edição do curso voltado aos motoristas que têm medo de assumir o volante. Curiosamente 5/6, data da notícia, é o Dia Mundial do Meio Ambiente.

Notícia sobre a nova edição do curso (clique na imagem para acessar a notícia)

A contradição é óbvia. Não bastasse a política rodoviarista ao longo dos anos no DF – com foco na ampliação das vias e na construção de túneis e viadutos –, o órgão de trânsito ainda ajuda os motoristas medrosos com curso gratuito.

Com o aumento do caos e da poluição causados pela crescente frota automotiva em circulação, seriam mais adequadas ações governamentais com o objetivo de desestimular o uso do carro. A Política Nacional de Mobilidade Urbana, em vigor há mais de cinco anos, é clara ao estabelecer como diretriz a prioridade dos modos de transportes saudáveis (“não motorizados”) sobre os motorizados e a prioridade do transporte coletivo sobre o transporte individual motorizado. E um dos objetivos da lei é promover o desenvolvimento sustentável.

Um detalhe a ser considerado: no DF, há empresas especializadas que oferecem cursos com o objetivo de superar o medo de dirigir. E o setor automotivo incentiva constantemente as pessoas a comprar e usar carro, como revelam os inúmeros anúncios na cidade e na mídia (jornal impresso, televisão, rádio e internet). Ou seja, não há necessidade do apoio governamental com cursos gratuitos.

   
   

Ao constatar a realidade no DF – transporte coletivo precário, calçadas destruídas e ciclovias vazias e sem conexão – conclui-se que outros setores do transporte precisam do apoio governamental. Em vez de insistir na lógica automotiva, cara e poluente, o investimento no setor de veículos limpos (VLT, ônibus elétrico e bicicleta) traria inúmeros benefícios à sociedade.

Diante de tanta carência na fiscalização de trânsito para coibir as reiteradas infrações motorizadas (ex.: estacionamento irregular sobre calçadas e canteiros e bloqueios nos cruzamentos de ciclovia), causa ainda mais perplexidade o gasto do Detran (recursos financeiros e humanos) com o curso para superar o medo do volante.

Ações inovadoras: Superação do medo de pedalar

Os órgãos gestores da mobilidade precisam se atentar para a tendência moderna de incentivar formas saudáveis e alternativas ao automóvel. As cidades modernas restringem cada vez mais o espaço destinado ao transporte individual motorizado (pistas, estacionamentos, túneis e viadutos) e as áreas centrais se abrem para as pessoas, com mais praças e parques.

Diversas notícias, especialmente de capitais europeias, comprovam a tendência de priorizar as pessoas, em vez de automóveis. O Detran, o DER, a Secretaria de Mobilidade e os demais órgãos gestores da mobilidade urbana precisam se convencer de que a saída para enfrentar o iminente colapso viário (já são cerca de 1 milhão e 700 mil veículos motorizados registrados no Detran) passa pela melhoria e prioridade absoluta ao transporte coletivo e aos modos saudáveis.

Fica a sugestão ao Detran-DF: oferecer cursos regulares gratuitos a quem tem medo de pedalar. Em vez de encorajar os motoristas medrosos, o Detran passaria a oferecer o curso gratuito Perca o medo de pedalar. Já ministrei palestras no Detran e em escolas sobre mobilidade urbana e me coloco à disposição para construir o conteúdo do curso e ministrar palestras, gratuitamente, com dicas práticas para usar a bicicleta no dia a dia.

Detran-DF (Diretoria de Educação), 2/8/2012

Escola Católica (Taguatinga), 11/9/2012

Palestras com orientações práticas para pedalar em segurança.

Com o recente lançamento de bicicletário e vestiários no Palácio do Buriti, um curso teórico-prático sobre o uso de bicicleta como meio de transporte seria um grande aliado na busca por um modelo de mobilidade saudável e ambientalmente correto. O trabalho educativo voltado aos servidores dos órgãos do GDF equipados com bicicletário complementaria o investimento em infraestrutura.

Resposta do Detran sobre o curso

O Brasília para Pessoas tem feito regularmente solicitações ao GDF com base na Lei de Acesso à Informação. Ao saber da notícia sobre mais uma edição do curso para superar o medo de dirigir, enviamos perguntas ao órgão.

Uma das questões enviadas referia-se à relevância do curso considerando a Política Nacional de Mobilidade Urbana (princípio do “desenvolvimento sustentável das cidades” e diretriz da “prioridade dos modos de transportes não motorizados sobre os motorizados e dos serviços de transporte público coletivo sobre o transporte individual motorizado”) e o fato de empresas privadas oferecerem cursos voltados à superação do medo de dirigir.

Em resposta, o Detran informou que o curso de superação do medo de dirigir “está em perfeita consonância com a Política Nacional de Trânsito, em especial, quanto aos objetivos de ‘Priorizar a preservação da vida, da saúde e do meio ambiente, visando à redução do número de vítimas, dos índices e da gravidade dos acidentes de trânsito e da emissão de poluentes e ruídos’ e o de ‘Efetivar a educação contínua para o trânsito, de forma a orientar cada cidadão e toda a comunidade, quanto a princípios, valores, conhecimentos, habilidades e atitudes favoráveis e adequadas à locomoção no espaço social, para uma convivência no trânsito de modo responsável e seguro’, visto que no curso não são abordadas apenas técnicas para redução da ansiedade no trânsito, mas são abertas reflexões sobre o papel de cada cidadão para a construção de um trânsito mais seguro e civilizado.

O texto da solicitação e a resposta completa podem ser consultados na seção do blog voltada às informações obtidas sobre mobilidade urbana.

SAIBA MAIS:

– Passo a passo de como solicitar informações sobre mobilidade

http://www.mobilize.org.br/noticias/9302/cidadania-e-mobilidade–como-cobrar-direitos-e-exigir-melhorias-do-poder-publico.html

Cidadania e mobilidade: Como cobrar direitos e exigir melhorias do poder público

– Vídeo Brasília: capital das ciclovias [cenas dos trajetos diários de bicicleta]

Calçada #Cilada 2017 – resultado enviado ao GDF

No dia 5 de julho o Brasília para Pessoas encaminhou ao Governo do Distrito Federal o resultado da campanha Calçada #Cilada 2017. Neste ano foram registradas 251 reclamações de cidadãos de todo o DF.

   

Ciladas denunciadas na campanha deste ano (ao lado do Conic e no Setor de Rádio e TV Sul).

A campanha nacional é promovida pela Corrida Amiga no mês de abril em várias cidades com o apoio e a participação ativa do Brasília para Pessoas e de diversas entidades espalhadas pelo país. Qualquer cidadão pode fazer denúncia das armadilhas no caminho e publicar a foto com a respectiva localização por meio do aplicativo Colab.

Em razão de no DF a competência sobre mobilidade e acessibilidade estar distribuída em mais de um órgão, o resultado da campanha foi encaminhado por e-mail aos seguintes órgãos públicos: Secretaria de Mobilidade, Secretaria de Gestão do Território e Habitação, Detran-DF, Novacap, Secretaria de Infraestrutura e Obras e Agefis.

Carta enviada por e-mail aos seis órgãos do GDF:

Foram enviados em anexo no e-mail para os órgãos: relatório com os resultados da campanha, planilha de fiscalizações, registro fotográfico das ciladas e clipping de reportagens (clique para acessar os anexos).

Neste ano, muitas das calçadas com crateras registradas no ano passado continuavam do mesmo jeito, abandonadas.

2016

2017

Crianças reprovam o estado da calçada na W3 Norte (709N). Um ano depois, a cratera continua.

2016

2017

No Setor Hoteleiro Norte, a cratera denunciada em 2016 ficou ainda maior após um ano.

Outras ações foram realizadas no mês da campanha, que coincide com o aniversário de Brasília (21 de abril). Além da segunda edição do Salto de Crateras (leia relato sobre a ação), o Super-Ando, super-herói dos pedestres, pousou por aqui no aniversário da cidade e deu uma grande ajuda aos pedestres que precisavam fazer a travessia entre o parque da cidade e a torre de TV (assista ao vídeo).

Esperamos que o GDF se sensibilize com o estado lamentável das calçadas, com os inúmeros bloqueios e com a ausência de calçadas e pontos de travessia. Além da insegurança revelada pelo número de mortes de pedestres (em 2016, 133 pedestres foram mortos nas vias do DF), as crateras e os bloqueios no caminho dificultam ou mesmo impedem a caminhada.

SAIBA MAIS:

Imobilidade na área central de Brasília (VÍDEO):

Crianças aplicam multa cidadã em carros sobre calçada (VÍDEO):

Pedestres no DF (álbum com centenas de fotos revela as condições para caminhar):

Flagrante de desrespeito à faixa de pedestre em Brasília

No dia 17/6 (sábado), ao voltar com as crianças para casa, fomos surpreendidos por um motorista que nos ignorou durante a travessia e passou em alta velocidade pela faixa. Apesar do aceno insistente do meu filho, o motorista passou direto, sem cerimônia. A cena está gravada no vídeo (clique para acessar).

 

Infelizmente o desrespeito é comum. As freadas bruscas e colisões próximas às faixas revelam que o respeito à faixa de pedestre enfraqueceu. A campanha de respeito à faixa, que tornou a capital federal referência, completou 20 anos em abril.

   
   

Freadas brusca, colisões e insegurança nas proximidades das faixas de travessia em Brasília.

Os dados sobre atropelamentos são preocupantes: em 2016, 133 pedestres foram mortos (em 2015, foram 112). E apenas na última semana três pedestres foram atropelados, um deles na faixa de travessia.

 

Nos comentários no vídeo postado no facebook, mais queixas quanto ao desrespeito na travessia.

Campanhas educativas são necessárias, assim como fiscalização regular, com agentes de trânsito na rua, para coibir o desrespeito na faixa. As infrações costumam ser causadas pelo excesso de velocidade e pela distração (celular ao volante).

– Texto original divulgado junto com o vídeo no facebook:

Flagrante de desrespeito à faixa de pedestre em Brasília (Asa Norte). Muitos motoristas ignoram até mesmo quando crianças imploram para atravessar…

Na capital “moderna”, com fama de respeito ao pedestre, a imprudência (excesso de velocidade) e a distração (uso de celular ao dirigir) agravam a insegurança.

Não foi a primeira vez – e duvido que seja a última – que um motorista ignora totalmente a nossa travessia. Felizmente estou aqui postando o vídeo-denúncia, com meus meninos em casa. Se não tivesse lhes ensinado desde cedo a ficarem alertas aos aloprados de plantão, poderia estar agora apreensivo num leito de hospital.

Ao andar e pedalar na selva brasiliense tem que estar sempre atento para sobreviver!